Caminhadas pagãs

terça-feira, 21 de dezembro de 2004
por Nuedos

Aprendo dos pântanos o brilho embaçado de águas estagnadas e não o quero. Espero pela Paixão, até os ecos palustres se afastarem de meus pés. Já tomei a cana da aveia como flauta e, qual viajante de Hamelin, conduzi-me à caverna da montanha que me pariu em sonora gargalhada.
Junto ao carvalho, o centauro ensinou-me o desapego. E eis-me a explorar outras paisagens.
Além do bosque, Júpiter troveja ao profetizar e oferece-me nozes.
No Ararat, Noé planta videiras em nome de Dioniso, e o Livro ensina-me ser a sabedoria uma videira de belas parras. Alimento-me de teu sangue à exaustão, ó Gaia, e mergulho na embriaguez mística de tuas coxas.
Evoé!