Alcanzia - I
sexta-feira, 14 de janeiro de 2005
por Nuedos
Ao olhar minha sombra em repouso, apressei-me em observá-la. Era uma caixa tão antiga, que se desfazia como papel, a tristonha, e abraçava palavras distantes e solitárias. Mirei-as sem constrangê-las. As palavras pediam calma e luz, como os homens do meu tempo. Meus dedos ásperos e quebradiços obedeceram, e elas se soltaram desconfortáveis e, na palidez, sorriram. Depois ensaiaram vôo de borboleta (eu as queria imortais) e se aninharam por aí em busca de um sentido real.
