Fadista: glossário pessoal
segunda-feira, 03 de janeiro de 2005
por Nuedos
Cantoras de fado têm armários cheios de acordes delicados como borboletas noturnas, além de sustenidos algodoados para envolver os sussurros de nossas almas.
A palavra fado se origina do latim fatum, de fari, falar por oráculos, vaticinar, profetizar, predizer, o que as torna sábias sacerdotisas a nos apontar as falhas trágicas do destino humano.
Fadistas me lembram sereias. Ambas cantam os incomensuráveis mistérios da vida e da morte. Apenas as fadistas nos salvam da solidão oceânica.
Cantoras de fado não usam relógios, pelo simples fato de que tragédias não têm hora para acontecer. Ai de mim!
Cantoras de fado usam mantas sobre os ombros para esconder-lhes as asas.
Usamos a palavra fado, em nossa língua, como sinônimo de destino desde o século XVI e, enquanto sinônimo de canção popular lisboeta, desde o século XIX. Foram necessários três séculos para a guitarra afinar-se com o incognoscível mistério dos corações humanos.
