Memórias dispersas
sábado, 08 de janeiro de 2005
por Nuedos
Meu pai era escritor. E laureado. Era o que todos afirmavam. Alguns poucos diziam ser ele próprio uma história. Penso que ele colecionava temperos e sabores com estranha diuturnidade para alimentar saberes à larga.
Minha mãe era apenas mãe. E previsível como tal. Era o que todos pensavam. Alguns poucos diziam ser ela um calendário de aniversários e encontros de família. Penso que ela construía pontes com olhar de urbanista. E indicava-nos travessias e caminhos certos.
Meu irmão é um fazedor de velas. É o que todos sabem. Alguns poucos dizem ser ele um artesão de sonhos. Penso que ele incendeia almas, para que verões aflorem sempre.
Eu gosto de marzipã, aprecio construções românicas e coleciono conchas. Alguns poucos assim o confirmam. Na verdade, acho que sou um tipo esquisito e solitário em busca de saberes, de caminhos e de ecos de verões distantes.
