A vida escrita na pele, quase cantiga para ilusões quaisquer
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005
por Nuedos
(aos que me povoam com amanhãs)
Desempenar o travo para sorrir-me inteiro
Aquietar o peito e desliar espinhos
numa quase remora do erigido assim.
Oscilar-me ao vento e derreter-me ao sol
(o canto renova o tempo, eis o dogma)
Não fui e nem sou o que escapou silente
e me aquieto em paz em cada adormecer.
Aplacar as sombras e romper silêncios
para falar o justo e o que sonhei depois.
E reparar intentos
e abrandar a pressa
e inscrever o tempo em que me fiz garrancho
e fundir-me àqueles que fizeram tanto.
Das penas mitigar o excesso,
da sanha moderar o apelo,
e eis-me a falar de madrugadas
e a revelar-me tão simples quanto se encobre o mundo.
De mãos dadas, amansar-te as dúvidas
sem cismas a induzir o erro. Tentar, gentil,
silenciar a boca e o anelo cego,
para me fazer presente no que pensei findar.
Diluir distâncias e admitir apegos
e pulverizar o medo para expandir certezas.
Teu coração, teus olhos e teu passado não me bastam:
o tempo estia e me faz calar enfim.
Por mim, por ti,
serenar a vida escrita na pele que se fez antiga
tão logo começou.

Abrandar a pressa...um desejo intenso, meu, esse de abrandar a pressa.
Suas palavras são sempre um estímulo à leitura
Escrito por yardbird | 18/02/2005 12:40
Por essas páginas podes caminhar sem pressa! Obrigado, Yardbird!
Escrito por Nuedos | 18/02/2005 23:03
Bonito texto!
Escrito por no brega | 19/02/2005 11:35