Alcanzia - II
sábado, 12 de fevereiro de 2005
por Nuedos
Nem o frio empalideceu-me o gesto. Tomei o conjunto de cartas com arrebatamento e as distribui sobre a mesa de trabalho. Os envelopes desenharam um tempo. Os sobrescritos inscreveram paisagens. Eram notícias da vida, eram surpresas do antes. Diante de meus olhos, as cartas se transformaram em hortos silenciosos. O frio queimava os dedos, as cartas aqueciam a memória. Cada envelope desfiava música, e as harmonias se orquestravam no tempo. Reverente, abri os envelopes e depositei as missivas num outro canto da mesa, que se invadiu de luz. Meus olhos aninharam as palavras, e o dia tomou o sabor do aniz.

Pena que, atualmente, poucas cartas pessoais são escritas. Sonho com o carteiro trazendo as cartas de minha infância: mamãe dando notícias, um primo contando a viagem, um amigo comentando o último romance lido... Mas, é a caminhada da vida... A propósito: o título de seu blog me incentiva a recomendar: http://prascabecas.blogspot.com/2004_12_01_prascabecas_archive.html#110415679149855637
Escrito por Cláudio Costa | 12/02/2005 11:27
Cláudio, obrigado pela visita e pela sugestão. Agrada-me a tua escrita. Espero por teu retorno!
Escrito por Nuedos | 12/02/2005 11:45
Belas imagens em ambas Alcanzias!
Escrito por rui | 12/02/2005 13:13