segunda-feira, 28 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 4 andarilho(s)
Sou de fazer de conta que não sei escrever e de remeter o seu olhar para o argumento, de rabiscar bilhetes desajuizados, de aparentar serenidades e escancarar o terror. Sou de cenários e paisagens, de desnecessários e inoportunos, de estridências e escuridões, esgaratujas e suspiros uivados, suor escasso e antevisão da dor e só capitulo na busca de disfarces ao perceber tuas desvairadas mãos em meu sexo. A vida concedeu-me tempo, eliminou surpresas e me esfomeou de possibilidades. Por vezes, meus sonhos me espreitam em silêncio e me emprestam a voz, como agora.
domingo, 27 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 0 andarilho(s)
De tuas palavras, de teu sorriso, penso que de tudo estive ausente, Verônica Z. Restou-me apenas, como ao Nat, aquellos ojos verdes de mirada serena, serenos como un lago, aquellos ojos verdes que yo nunca besaré.
sábado, 26 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 4 andarilho(s)
Passear por intervalos de silêncio
Passear por respostas desconcertadas
Passear por previsíveis indiferenças
Encolher-se em desvãos de memória.
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Doces instâncias ocultas
Doces surpresas de estar
Doces assobios pela véspera
Quero-me, francamente, assim
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 0 andarilho(s)
No areal, restou o sentinela. Afinal, fronteiras impõem limites e pedem vigias. E, para isto, ele servia. De seu posto, restava olhar para o distante horizonte. E a vigia modorrenta nada lhe acrescia, senão miudezas e relevos distantes. De um lado, limites se erguiam em cordilheiras semelhantes a mãos postas em prece, como a indicar caminhos para os de seu tempo. De outro, o vulcão sobranceiro, eternamente ferido, a purgar venenos das lesões. E o sentinela postado ali na vastidão do nada. Não que fosse nada por inteiro. Havia um pouco mais. Pequenos montes entremeados de vales previsíveis, um poço seco a exsudar glórias passadas e corcovas radiais a evocar a insipidez da geografia incômoda e desalentada. E isto, afinal, era tudo. Desde que ocupara o posto, nenhuma alteração, exceto uma anêmica vegetação rasteira a se espalhar aqui e ali. A natureza dormitava nos campos, mas não no sentinela. Com o tempo, ele encorpara o talhe. Sem disfarces, o surrado uniforme de anos já lhe tolhia os movimentos. Por isto, decidiu desnudar-se. Afinal, a tarefa impunha-se sobre o decoro. E, além do mais, só ele restara no areal. Exibiu-se ao sol como anjo na vastidão. Agora, a pele desbotada respirava a pleno. Despertou-se-lhe a liberdade e, a um só tempo. a plenitude dos sentidos. Verticalizado e nu, escutou os sons a povoar o tempo e compreendeu as pedras que lhe sustentavam os pés e a vegetação hirsuta a lhe indicar a direção dos ventos. E escutou o próprio coração a exalar desejos.
Dizem que, noite e dia, outros anjos acompanham o sentinela e lhe confiam segredos sobre os dias que virão.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 3 andarilho(s)
orbmossaoiriuqdaer
terça-feira, 22 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 0 andarilho(s)
Apaixonei-me indiviso e sonhei rimas com o talhe de teus afagos, o perfume de nossos risos e um sabor de calmaria. Apaixonei-me, sim, com a maciez de quimeras e a eufonia de miçangas azuis. Apaixonei-me.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005
por Asyd
| 1 andarilho(s)
You're asking me will my love grow
Well, I don't know, I don't know
Eu não faço perguntas,
quero respostas!
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 4 andarilho(s)
o excesso do amor
amplia a incerteza.
o excesso do olhar
dilui a certeza.
o excesso na vida?
elimina o essencial.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 0 andarilho(s)
Os campos já prenunciavam flores, e o meu coração, dúvidas. A primavera chegava sorrateira e, no Liceu, as professoras preparavam o festejo: corais e declamações. Levantei-me muito cedo, ensaiei as falas, penteei os cabelos e carreguei a margarida às escondidas. Ocultei-me entre as árvores e iniciei o bem-me-quer, mal-me-quer. Só despertei no final da festa com a algazarra das outras crianças.
sábado, 19 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 2 andarilho(s)
Eu nunca recebi troco errado. Minha irmã sempre lascava pratos ao lavá-los.
sábado, 19 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 0 andarilho(s)
Eu assobiava, subia nas árvores, brigava, falava palavrões, brincava na rua. Minha irmã queria crescer, casar e ter filhos.
sábado, 19 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 0 andarilho(s)
Ela fazia tudo em casa: da administração dos empregados à decoração das festas, das intermináveis listas de compras aos álbuns de fotografias. Eu nada fazia, como o meu pai!
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 3 andarilho(s)
(aos que me povoam com amanhãs)
Desempenar o travo para sorrir-me inteiro
Aquietar o peito e desliar espinhos
numa quase remora do erigido assim.
Oscilar-me ao vento e derreter-me ao sol
(o canto renova o tempo, eis o dogma)
Não fui e nem sou o que escapou silente
e me aquieto em paz em cada adormecer.
Aplacar as sombras e romper silêncios
para falar o justo e o que sonhei depois.
E reparar intentos
e abrandar a pressa
e inscrever o tempo em que me fiz garrancho
e fundir-me àqueles que fizeram tanto.
Das penas mitigar o excesso,
da sanha moderar o apelo,
e eis-me a falar de madrugadas
e a revelar-me tão simples quanto se encobre o mundo.
De mãos dadas, amansar-te as dúvidas
sem cismas a induzir o erro. Tentar, gentil,
silenciar a boca e o anelo cego,
para me fazer presente no que pensei findar.
Diluir distâncias e admitir apegos
e pulverizar o medo para expandir certezas.
Teu coração, teus olhos e teu passado não me bastam:
o tempo estia e me faz calar enfim.
Por mim, por ti,
serenar a vida escrita na pele que se fez antiga
tão logo começou.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 6 andarilho(s)
Gostaria de escrever sol com todo o brilho que lhe é próprio. Gostaria de escrever esperança com toda a gratidão pela vida.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 0 andarilho(s)
Por vezes, sinto vontade de confessar segredos!
terça-feira, 15 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 5 andarilho(s)
... saborear árvores e muros de cidades e exibir mandíbulas de cólera pelas noites; dissolver a frialdade dos homens e despejá-los no manancial do amor; alimentar fogueiras e purificar o denso qual signo pascal de outros tempos; fecundar a terra para o retorno do vivo verdejante, e o coração indiferente para iluminar-lhe com verdades; ocultar-se em silêncio no sexo das feiticeiras...
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 2 andarilho(s)
Relâmpagos espoucaram ao acaso. O vento dispersou-me e aos sonhos. Só a rua se fez presente como um abraço que esperei em vão.
Simulei desejos e te beijei nas memórias. Imaginei teu corpo e te busquei nas sombras. Tua voz esqueci por indiferença. Cada adormecer e todo despertar se diluiram em inquietudes a devorar os dias e a destruir as noites. Eis-me atento às paixões que não vivi.
Da palidez do céu à lama nos jardins meu coração se deteve em sobressaltos.
O que me lembro foi apenas um assombro (talvez carinho, não me recordo). O que esqueci roubou-me a paz.
Entre a chegada do inverno e o sono, algo representou saudades.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 0 andarilho(s)
(Para C.N.)
Apesar do frio Acordei Despertei pensando em com você seu sorriso em meus meu pensamento coração, meu amor anjo! Você é o meu tesouro a minha razão de viver alegria interior. Beijos saudosos apaixonados!
domingo, 13 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 1 andarilho(s)
Na velhice, adquire-se maior controle sobre si, dizem uns. Controle eu sei estabelecer. Quanto a mim, I'm lost forever.
sábado, 12 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 3 andarilho(s)
Nem o frio empalideceu-me o gesto. Tomei o conjunto de cartas com arrebatamento e as distribui sobre a mesa de trabalho. Os envelopes desenharam um tempo. Os sobrescritos inscreveram paisagens. Eram notícias da vida, eram surpresas do antes. Diante de meus olhos, as cartas se transformaram em hortos silenciosos. O frio queimava os dedos, as cartas aqueciam a memória. Cada envelope desfiava música, e as harmonias se orquestravam no tempo. Reverente, abri os envelopes e depositei as missivas num outro canto da mesa, que se invadiu de luz. Meus olhos aninharam as palavras, e o dia tomou o sabor do aniz.
sábado, 12 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 0 andarilho(s)
Fóssil da infância humana (do lat. solitas, atis): traduz a suave e nostálgica evocação de um tempo coagulado a vagar por minhas memórias.
No singular ou no plural, dói muito.
Não senti-la, dói ainda mais.
A saudade, no folclórico repertório de meu povo, se materializa nas chaves das casas de que fomos expulsos.
Na voz dos poetas, é um profundo e misterioso vale que insiste em se abrir para a luz.
Espécie perene a florescer em todas as estações dos homens e com raízes a se alimentar no fundo da alma.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 4 andarilho(s)
... sustentar os pés dos que caminham em paz ou dos trôpegos pelas dores do estar; cobrir corpos do que pereceram na luta por mim; acolher sementes para que a vida permaneça; transformar-se em bilha, tijolo e telha para unir famílias sob um só teto; cobrir vidraças de castelos e igrejas; impor ao homens limites de autonomia; manchar as mãos dos que buscam tesouros encerrados em meu ventre...
quarta-feira, 09 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 0 andarilho(s)
Esqueci-me de espalhar sorrisos entre os que não conheci. Esqueci-me de marcar a ausência pelo que presenciei. Esqueci-me de deixar em branco as frases que deixei de falar. Esqueci-me de legar o quanto desconheço de mim.
terça-feira, 08 de fevereiro de 2005
por Asyd
| 1 andarilho(s)
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Make Someone Happy with an Asyd.
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The Advertising Slogan Generator
terça-feira, 08 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 2 andarilho(s)
Caminhava distraído e, ao ouvir o seu nome, despertou-me o amor sem justificativas ou pudores. A simples menção de seu nome, sim, de seu nome lançou-me à mágica circunstância de seu estar no mundo. Alcancei seus passos dedicados entre semelhantes, imaginei seus feitos surpreendentes no fluir do calendário, extasiei-me com insuspeitas emoções a espreitar-me sobre os ombros. E preparei-me para o encontro com o amor (no íntimo, sabia-o surpreendente como obra de arte imemorial e, assim, despojei-me para abraçá-lo e homenageá-lo). E, desde o primeiro instante, poupei expectativas de nos engolfarmos pelos tentáculos do desejo. E admirei cada fragmento do mosaico em que o seu ser se estampava (secretamente, temia não usufrui-lo na multiplicidade de seu estar comigo). E ansiei por novos retornos para desvendar-lhe a beleza serena. E pautei novos encontros com todo o meu ser disponível. E cerquei-me atento aos gestos de suas mãos e ampliei meu tempo para ouvir-lhe a voz. Desobrigado de tudo o que todos aclamavam, eu o amo por mim. E, como desde sempre, continuo a me sentir humano pelo prazer de senti-lo meu, amor!
quarta-feira, 02 de fevereiro de 2005
por Nuedos
| 0 andarilho(s)
1.
Os corredores da casa abrigavam sombras amistosas e ecos de todas as festas. A avó como onipresente figura de bondade era apenas luz e silêncio de memórias.
2.
Um misto de tudo se tornava caixa de tesouros num eterno buscar e livrar-se, qual rapsódia da transitoriedade dos que me antecederam. Aprendi, aqui e ali, a sentir-me companhia perene.
3.
Às criaturas interessava mais a chuva que o resfrio, mais as pipas que cabelos em desalinho, mais o enredo que a voz. Às criaturas dizia-se: vivam apesar das adversidades.
4.
Arrumar gavetas era tarefa semanal, exceto na semana do aniversário. Fugaz era a liberdade diante da monotonia dos dias.