Trevas em meio ao nada
quinta-feira, 31 de março de 2005
por Nuedos
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Repito: sou incapaz de abrir mão do meu desejo!
quinta-feira, 31 de março de 2005
por Nuedos
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Repito: sou incapaz de abrir mão do meu desejo!
quarta-feira, 30 de março de 2005
por Nuedos
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O Tiago Mendes voltou! E está aqui!
segunda-feira, 28 de março de 2005
por Nuedos
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Preocupações não impedem que algo aconteça, Asyd.
domingo, 27 de março de 2005
por Nuedos
| 3 andarilho(s)
O que dizemos a nós mesmos, fere mais do que dizem os outros, Asyd.
quinta-feira, 24 de março de 2005
por Nuedos
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Agradar a todos cansa e subtrai tempo para outros aspectos de sua vida, Asyd.
quinta-feira, 24 de março de 2005
por Nuedos
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Perde-se o prazer ao se evitar desafios, Asyd.
quinta-feira, 24 de março de 2005
por Nuedos
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Tentar ser competente é sábio, necessitar ser competente é ridículo, Asyd.
quarta-feira, 23 de março de 2005
por Nuedos
| 3 andarilho(s)
Vou me sentar e escrever uma carta para mim, como se fosse escrita por você. Escreverei doces palavras e muitos beijos para finalizar. Vou sorrir e dizer: espero que você esteja melhor, e conclui-la com amor, do jeito como você faz. Vou escrever uma carta para mim e acreditar que foi escrita por você!
terça-feira, 22 de março de 2005
por Nuedos
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De relance, vislumbrei-lhe a silhueta e não fiquei indiferente. Afinal, era um humano. E falava!
segunda-feira, 21 de março de 2005
por Nuedos
| 2 andarilho(s)
Acreditei-me forte e soneguei-lhe a paz. Ataquei-lhe as virtudes com zombarias, desprezei-lhe os talentos e caluniei-lhe as glórias no esforço incansável de me tornar o senhor. Com vigor, aspergi fria maldade, amargo riso e feroz alegria diante da dor. Ao vê-lo brilhar como o sol, sucumbi.
domingo, 20 de março de 2005
por Nuedos
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Apraz-me o silêncio, desagrada-me o mutismo. A mudez castiga-me no isolamento da confissão. O silêncio semeia entusiasmos pela vida.
sábado, 19 de março de 2005
por Nuedos
| 2 andarilho(s)
"Asfalto fora e aí vamos nós, clap clap clap, passos confiantes de gente urbanizada (que se imagina urbana), de pele (indiferente, tratada) onde roçam a lycra e o poliester. Que espreita pelos vidros sem qualquer dedada e vê a realidade através do ajax. Nesse preciso instante, bactérias legionárias fazem festins nos open spaces, por entre monitores e divisórias de fórmica.
Gente que salta de caixa em caixa, grandes, pequenas, com rodas, janelas (ou sem elas), varandas com vasos onde se espevitam verdes raquíticos, condutas do lixo e telhados, muitos telhados que tapam o céu, cuidado com o sol que está doentio! (baixamos persianas, pálpebras).
Gente embrulhada no conforto quentinho dos circuitos eléctricos, numa existência limpa, asséptica e quase translúcida, aos ziguezagues por entre matéria inorgânica, produzida em série (sem cheiro definido) e que lhes ofusca a memória animal.
Na cidade, esquecemos que um dia já fomos amebas nervosas, girinos em fuga de um mar sulfuroso, patas no chão, pelos no corpo e rasgão na carne, enquanto o sangue nos cavalga o corpo (e relincha, enfreado) e se dilui em garrafas de água mineral, natural e sem gás (a pureza da fonte, onde quer que isso seja), o vidro no vidrão.
Quando a TERRA se impõe e nos reclama por fim, tememos insectos e enfados, pólens mortíferos, choques alérgicos de desfecho anafilático (é tudo apenas questão de minutos).
Mas sem darmos por isso pomo-nos a jeito para o açoite do vento e afagamos cães sujos que pingam carraças.
E começamos a descalçar a cidade, como uma luva apertada: delicada mas firmemente. Mergulhamos sem pensar a mão na terra escura, partículas lamacentas entranham-se-nos na unhas e uma PAZ muito antiga (mais antiga que os tempos) apodera-se de nós.
É então que percebemos que, a cada vez que comemos, fodemos, matamos ou lambemos as crias, estamos a enterrar por uma vez mais as mãos na TERRA. Que teimamos em renegar mas que, a cada torrão que apertamos, se desfaz, libertando qualquer coisa de primordial, visceral e BELO, que nos sussurra que foi ali que TUDO começou."
(transcrito, com autorização, do blog Controversa maresia)
quinta-feira, 17 de março de 2005
por Nuedos
| 3 andarilho(s)
O mundo se estampa em mil faces. Algumas das minhas favoritas estão aqui. Leiam!
terça-feira, 15 de março de 2005
por Nuedos
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Um homem capaz de dizer: Tenho tanta amizade aos gatos como se fosse a pessoas, revela-se mais do que um homem! Sinto-me em débito para com o mestre!
segunda-feira, 14 de março de 2005
por Nuedos
| 2 andarilho(s)
Diante das montras das lojas, o mundo se agrupava aos pares. Em teus olhos, havia um cadito de inveja!
domingo, 13 de março de 2005
por Nuedos
| 4 andarilho(s)
(para o Yardbird)
Os operários (gr. poietés) das letras existem em nossa língua desde o século XIV (Esopete Português).
Apreciam bailados de ventos e envelopes distraídos; dialogam com planetas, com transparências e relógios; seguem calendários como a medir o pulso da vida.
Sem eles, a infância e a madureza se tornariam inúteis, à semelhança de paredes sem janelas.
Morfologia - a Ciência diverge: ora os classifica entre necessários e reais, como os substantivos, ora como seres diáfanos, habitantes de eternas manhãs brumosas.
Aviso importante - sempre que encontrar um poeta, leia-o calmamente, como este aqui.
sábado, 12 de março de 2005
por Nuedos
| 2 andarilho(s)
... veloz desafiar o éter, impune atravessar os campos e, assim, surpreender o alvo; preencher-se da coragem do arqueiro e enamorar-se de abismos e de cumes; fertilizar o ar em vôo e em silvos; recolher-se em mãos divinas e aguardar olhares, para fustigar o coração com amores; amalgamar-se com o raio fulgurante de sua raiz (lat. sagire)...
sábado, 12 de março de 2005
por Nuedos
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Habituou-se ao vento e se fez inconstante. Antes, instigado a criar, gerou o espaço e se fez mensageiro de deuses. Hoje, apenas carrega odores a simular vagos estados de poder.
sábado, 12 de março de 2005
por Nuedos
| 0 andarilho(s)
(...) Querer-se justo e saber-se errante. E, por semelhança, incorrer em erros.
sexta-feira, 11 de março de 2005
por Nuedos
| 3 andarilho(s)
Virou o coração do avesso e nada: nenhuma saudade, nenhuma fantasia. E os pensamentos ardentes se transformaram em carvão negro, frágil e incômodo. Na vida, por vezes, mergulha-se no silêncio qual pescador de profundezas.
quinta-feira, 10 de março de 2005
por Nuedos
| 2 andarilho(s)
. Para ser feliz, junte-se aos amigos.
. Imite os deuses e ame.
. O dia demora para os egoístas.
. Na pressa, evite perder-se de vista.
. A vida se faz doce apenas pela insistência.
. Desejos não prevêem atalhos.
. Grandiosidades exigem tempo.
. Complicar e mitigar são operações matemáticas.
. Contestar o infinito é complexo, palavras gentis são fáceis de dizer.
terça-feira, 08 de março de 2005
por Nuedos
| 2 andarilho(s)
Por motivo do urgente não fui homem de pensar. E vivi de superficialidades sem me notar presente. Fui resposta à sobrevivência e me submeti ao trabalho, algoz e senhor. Adiantei a marcha e desdenhei reflexões. Carreguei em meus passos apenas a lição comum ao meu tempo e, agora, ouço em silêncio os desarranjados sulcos de minha pele em que a vida se desenhou.
segunda-feira, 07 de março de 2005
por Nuedos
| 1 andarilho(s)
Há tempos me intrigam os deuses e seus privilégios constantes e ilimitados. Há tempos me confundem os deuses em sorrisos enigmáticos e invectivas judiciosas. Há tempos me desarmonizam os deuses e suas revelações herméticas, minguadas de comiseração. Não há atalhos, nem condições remidas. Franqueio-lhes, pois, minhas dúvidas e suprimo-lhes a palavra. Reverencio apenas o luminoso arroio em que banho o meu corpo em liberdade.
segunda-feira, 07 de março de 2005
por Nuedos
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Não deves abrir as gavetas fechadas, disse o Pedro Mexia. E, ignorei-lhe o pedido. Surpreendi-me com austeros silêncios de cartas não respondidas e rosários com tantos pedidos silenciosos aos céus. E, com as gavetas, aprendi a esperar.
segunda-feira, 07 de março de 2005
por Nuedos
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É um bisbilhar que se repete à exaustão, e eu permaneço ereto e me abraço para lhe aquecer a gélida soledade.
domingo, 06 de março de 2005
por Nuedos
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A escassez das chuvas
resseca o olhar.
A escassez do olhar
diminui a alma.
A pouquidade da vida?
Excerba os mitos.
sábado, 05 de março de 2005
por Nuedos
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A Sarah d'A Espuma dos Dias me inquietou com o perfil de Rogério Ribeiro. Imperdível!
sábado, 05 de março de 2005
por Nuedos
| 0 andarilho(s)
Brincar com palavras sempre foi o passatempo preferido em minha infância solitária. Arranjava-as em blocos como a armazenar fardos. Havia conjuntos leves, como borboleta, vento e luz. Havia pesados, como elefante, pirâmide e escola. Havia os que impunham medo, como febre, escuro e cabra Cabriola. Depois, cresci e aprendi Gramática para um melhor entendimento, diziam, do vernáculo. Hoje, após muitos anos, eu a desprezo. Hoje, fiquei de velho. Assim mesmo, com a preposição deslocada a indicar que continuo o menino a gostar de palavras.
quarta-feira, 02 de março de 2005
por Nuedos
| 2 andarilho(s)
Atravessei invernos e ambicionei amores. Dos invernos, recordo-me dos gélidos escuros de meu solitário quarto, dos passos trôpegos com a silhueta em desalinho, das ínfimas beatitudes com meus limites físicos. Nos amores, fartei-me com rubras reentrâncias secretas, com olhares febris de erupções pulsantes, com espasmos e suores a vazar em espirais nos corpos. Bastam-me os amores.