Retrato
sábado, 05 de março de 2005
por Nuedos
Brincar com palavras sempre foi o passatempo preferido em minha infância solitária. Arranjava-as em blocos como a armazenar fardos. Havia conjuntos leves, como borboleta, vento e luz. Havia pesados, como elefante, pirâmide e escola. Havia os que impunham medo, como febre, escuro e cabra Cabriola. Depois, cresci e aprendi Gramática para um melhor entendimento, diziam, do vernáculo. Hoje, após muitos anos, eu a desprezo. Hoje, fiquei de velho. Assim mesmo, com a preposição deslocada a indicar que continuo o menino a gostar de palavras.
