Recado amoroso

sábado, 30 de abril de 2005
por Nuedos | 2 andarilho(s)

Falaram os olhos.
Sonharam os beijos
(estou perto de ti).

Vitral

sexta-feira, 29 de abril de 2005
por Nuedos | 0 andarilho(s)

Minhas palavras são frágeis
e frias
como lâminas de vidro

Com elas,
partilho fragmentos
de mim

Dúvida

quinta-feira, 28 de abril de 2005
por Nuedos | 3 andarilho(s)

Raiva rima com lava?

Flexionar

quinta-feira, 28 de abril de 2005
por Nuedos | 0 andarilho(s)

Conjurar culpa, isentar forças, domar ilusões, favorecer medos, conjurar forças, isentar ilusões, domar medos, favorecer culpa, conjurar ilusões, isentar medos, domar culpa, favorecer forças, conjurar medos, isentar culpa, domar forças, favorecer ilusões.

Just living

quinta-feira, 28 de abril de 2005
por Nuedos | 2 andarilho(s)

sedar chuvas
sabres de vento
sábios dias de silêncio

sem sanha
sem sombras

sobras de ontem
sede de amanhã

Salmodia

quarta-feira, 27 de abril de 2005
por Nuedos | 2 andarilho(s)

da palavra
vazo a forma
o som da consoante
da vogal a luz

o vocábulo
da boca
ecoar
das linhas o juízo
das epístolas

vazar do verbo a ação
de caminhar
adiante
dos sons
a essência

calar nos olhos
a fala
e nos ouvidos
o dom

Magia viva ou falta do Lexotan?

terça-feira, 26 de abril de 2005
por Nuedos | 0 andarilho(s)

Pronunciei teu nome e parei de sorrir.
A lucidez de tuas vogais me
cortou como fio de navalha.

Sopro de canção

terça-feira, 26 de abril de 2005
por Nuedos | 2 andarilho(s)

(para Jamille S.)

Aproveitei-me de sua inocência
para aproveitar o espaço que me resta
só me aproveitei para aproveitar
a inocência e o espaço se fundem
no corpo de quem me aproveitei
e ampliou-se o espaço e
diminuiu a inocência
(ao menos para você)
e diminuiu-me o espaço
pois a inocência já perdi.

Conclusão parcial

segunda-feira, 25 de abril de 2005
por Nuedos | 0 andarilho(s)

Acho que as quase 60 mil pessoas da comunidade "Bonzinho só se fode" do Orkut estão certas!

Novos rumos

domingo, 24 de abril de 2005
por Nuedos | 0 andarilho(s)

Desde a transgressão no Paraíso, sentimos dor: foi o castigo por não sermos perfeitos.
Hoje, ao receber seu bilhete, senti-me zangado e com medo. Como Rudolf Schwarzkogler sobreviverei profissionalmente dessa dor. O público paga pelo privilégio de assistir a alguém em sofrimento!

Alcanzia - III

sexta-feira, 22 de abril de 2005
por Nuedos | 2 andarilho(s)

Em tuas mãos, palavras são veludos de singular beleza: brilham e se recolhem dignas ao toque. Em meus lábios, palavras adormecem qual insípida água morna a dissipar calor. Acolho o silêncio (acredito-me respeitoso), enquanto tramo falas como aranha em seu ofício. Enregelado, ainda espero o teu retorno.

Nota

quinta-feira, 21 de abril de 2005
por Nuedos | 0 andarilho(s)

Na tentativa de me tornar um escritor famoso, resignei-me a oferecer meus livros de porta em porta, como um vendedor qualquer, e passei fome até os 50 anos. Depois dessa idade, já estava acostumado!

Vende-se

quarta-feira, 20 de abril de 2005
por Nuedos | 3 andarilho(s)

Vendo cavalo maravilhoso, que galopa feito o vento. Se sair de Lisboa às 2 da manhã, às 4 horas já estará no Porto! Só não sei o que o comprador fará no Porto tão cedo!

Envelhecer - 6

quarta-feira, 20 de abril de 2005
por Nuedos | 0 andarilho(s)

Quando se olha através do vidro simples de uma janela pode-se ver as pessoas, Asyd! Basta receber uma fina camada de prata, deixa-se de ver os outros, e passamos a enxergar só a nós!

Versejar

terça-feira, 19 de abril de 2005
por Nuedos | 4 andarilho(s)

Os músicos da lua tornam as
noites plenas de frêmitos.
Os poetas da terra tornam os
dias plenos de sonhos.

Como sempre

terça-feira, 19 de abril de 2005
por Nuedos | 0 andarilho(s)

Ao dormir, fico entre os lençóis,
E observo as contradições em mim.

Justificativas

segunda-feira, 18 de abril de 2005
por Nuedos | 0 andarilho(s)

Escrevo para escapar da rotina itinerante de uma vida comum. Escrevo para me livrar da insidiosa culpa por falas interrompidas em devaneios ridículos. Escrevo, pois papéis em branco me assustam e preenchem meu coração de dúvidas. Escrevo por ter esgotado todas as reservas de meu alfabeto de mímicas. Sou covarde diante das acusações de meu silêncio (eu as aplaco com uma escrita solene e desinteressante). Escrevo, enfim, para exorcizar a incredulidade em meus amanhãs.

Punga bueno, rati malo

domingo, 17 de abril de 2005
por Nuedos | 0 andarilho(s)

(do excelente blog argentino La Arveja Negra)


Yo soy Pablo, 27 años, punguista. Lo que les voy a contar nos pasó en un colectivo de la línea 193. Yo estaba haciendo algunas billeteras para pagar la pensión, hasta que después de un veloz giro me di vuelta rápidamente y nos vimos cara a cara, nuestros alientos se cruzaron y me dio la voz de alto. Me apuntó con el arma y se la saqué de una patada, nos agarramos y nos revolcamos por el piso de goma ante el horror de los pasajeros. Me llenó la cara de dedos. Entre bife y bife pude anotar mi teléfono en el boleto y se lo dejé en lo que le restaba del bolsillo de la camisa.
Hace tres años que estamos juntados; por una estúpida ley de la Naturaleza no podemos tener hijos pero adoptamos un gatito medio siamés. Nunca hablamos de nuestro trabajo. Lo único que arreglamos todas las mañanas, sin falta, es donde vamos a movernos ese día. Si a él lo ponen en Caballito, yo me voy a Liniers, si le toca en Palermo, hago Parque Patricios.
Ahora sólo le robo a individuos que parecen tener un buen pasar, pero no para facturar más, sino porque desde que el amor llegó a mí siento que quiero devolverle a la vida un poco de todo lo bueno que me dio. El primer lunes de cada mes junto cuatro o cinco billeteras y las meto disimuladamente en bolsillos de trabajadores humildes, jubilados con camperas raídas, amas de casa portando magras bolsas del mercado… Si mis amigos se enteraran, me echarían del grupo por traidor.
Esteban sigue ocultando mis actividades, aunque a veces lo veo preocupado, sentado en la cocina acariciando el escudito de la gorra antes de salir a la calle, tomando su mate muy seriamente. Él también se la juega.

Conjugar ainda

sexta-feira, 15 de abril de 2005
por Nuedos | 3 andarilho(s)

Encontrar assombros, esperar abismos, resgatar sofrimentos, suprimir solidão, encontrar abismos, esperar sofrimentos, resgatar solidão, suprimir liberdade, encontrar sofrimentos, esperar solidão, resgatar liberdade, suprimir assombros, encontrar solidão, esperar liberdade, resgatar assombros, suprimir abismos, encontrar liberdade, esperar assombros, resgatar abismos, suprimir não mais.

Conjugar

quinta-feira, 14 de abril de 2005
por Nuedos | 2 andarilho(s)

Criar silêncios, desejar palavras, emprestar alentos, espantar saudades, desejar alentos, criar saudades, emprestar palavras, espantar silêncios, criar palavras, desejar silêncios, emprestar saudades, espantar alentos, desejar saudades, emprestar silêncios, criar alentos, espantar palavras.

O futuro na paixão, por José Castello

quarta-feira, 13 de abril de 2005
por Nuedos | 5 andarilho(s)

A cultura no novo século -- o tema me é proposto por Carminha Guerra e seu seminário "A Arte do Encontro/ Uma reflexão sobre as artes no século XXI", que se realiza entre 28 de março e 01 de abril no Teatro Alterosa, em Belo Horizonte. O assunto é vasto, pode parecer vago, mas toca na aflição mais extrema que atormenta escritores, artistas e intelectuais nesse momento. O que será da cultura, em um mundo cada vez mais veloz, pragmático e "profissional"? A arte ainda terá lugar (e que lugar?) num tempo em que a internet e a televisão se tornam universais, formando uma rede de uniformidade e de repetição que encobre todo o planeta? Enfim: ainda haverá espaço para os escritores e para a literatura em um mundo gerido pelas imagens, pela superficialidade e pela síntese?

A minha resposta para as três perguntas, apesar de todos os indícios pessimistas, é: sim. De fato, o novo século começa com uma tendência, que parece irreversível, à padronização, à superficialidade e à razão prática. O mundo de hoje, mais que nunca, exige resultados - na economia, na política, no campo jurídico, na engenharia, na pesquisa científica. É um mundo cada vez mais "profissional" e que cada vez tem menos tolerância com amadores e aventureiros. Isso é bom? A verdade é que é. Se contratamos um arquiteto, queremos que ele não cometa erros na construção de nossa casa. De um médico, exigimos seriedade e bons resultados. De um advogado, idoneidade e esperteza. Os atletas são treinados com métodos científicos para chegar a marcas precisas. A todos eles, pedimos basicamente uma coisa: competência.

Continue lendo "O futuro na paixão, por José Castello"

Como na canção, para lembrar!

terça-feira, 12 de abril de 2005
por Nuedos | 2 andarilho(s)

(letra: Gene Raskin)

Once upon a time there was a tavern
Where we used to raise a glass or two
Remember how we laughed away the hours
And dreamed of all the great things we would do

Those were the days my friend
We thought they'd never end
We'd sing and dance forever and a day
We'd live the life we choose
We'd fight and never lose
For we were young and sure to have our way.
La la la la...
Those were the days, oh yes those were the days

Then the busy years went rushing by us
We lost our starry notions on the way

If by chance I'd see you in the tavern
We'd smile at one another and we'd say

Those were the days my friend
We thought they'd never end
We'd sing and dance forever and a day
We'd live the life we choose
We'd fight and never lose
For we were young and sure to have our way.
La la la la...
Those were the days, oh yes those were the days

Just tonight I stood before the tavern
Nothing seemed the way it used to be
In the glass I saw a strange reflection
Was that lonely woman really me

Those were the days my friend
We thought they'd never end
We'd sing and dance forever and a day
We'd live the life we choose
We'd fight and never lose
For we were young and sure to have our way.
La la la la...
Those were the days, oh yes those were the days

Through the door there came familiar laughter
I saw your face and heard you call my name
Oh my friend we're older but no wiser
For in our hearts the dreams are still the same

Those were the days my friend
We thought they'd never end
We'd sing and dance forever and a day
We'd live the life we choose
We'd fight and never lose
For we were young and sure to have our way.
La la la la...
Those were the days, oh yes, those were the days

Reflexões antroposóficas - I

segunda-feira, 11 de abril de 2005
por Nuedos | 2 andarilho(s)

Como foi ensinado por Gurnemanz, diante do erro, da dor, da fraqueza, da ignorância ou da miséria humana (pessoal ou de outrem) evite julgamentos. Quanto menos sabemos, mais julgamos de maneira injusta. Por isso, pergunte(-se) sobre o que aconteceu (o que se fez) para se chegar naquela situação e, então, a compaixão e a humildade terão lugar em sua alma!

Choose an adventure

sábado, 09 de abril de 2005
por Nuedos | 3 andarilho(s)

Sou o que reconta histórias e falseia paisagens e realidades, entremeadas de memórias qual cacos de vidro em aparente descaso. Engano. Eu as posiciono com esmero para alimentar carências episódicas e circulares, como as outras memórias dos dias que virão.

Adiamentos

sexta-feira, 08 de abril de 2005
por Nuedos | 0 andarilho(s)

palavras
guardadas em silêncio
repousam entre os dentes

códigos
incertos aos olhares
crescem solitários

invernos
partiram para o sul
mas voltam

Amor/desamor

quinta-feira, 07 de abril de 2005
por Nuedos | 3 andarilho(s)

Anunciação
Os olhos adormeciam em tempo de silêncios, até você surgir e desfazer mistérios da solidão do antes.
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Os olhos adormeciam em tempos de isolamento, até você surgir e preencher minha necessidade de companhia.

Ofertório
No invisível do pensar recíproco, ampliamos o dom da tolerância mútua.
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Basta-me o desejo ativo nos imantar.

Transubstanciação
Diluímos a necessidade da companhia para nos desejarmos com firme mansidão.
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Crises e malentendidos impacientam a necessidade de convivência.

Comunhão
Nossas raízes divinas partilham o húmus do destino comum.
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Ostento minha individualidade e peregrino em solidão.

Cromo

segunda-feira, 04 de abril de 2005
por Nuedos | 3 andarilho(s)

De Lisboa, recordo-me da vendedora de flores a caminhar pela Rua da Rosa. Entre uma travessa e outra (a de São Pedro e a do Conde), ela me confessou que as flores não eram dela. Eram tesouros do D'us!

Da literatura

domingo, 03 de abril de 2005
por Nuedos | 0 andarilho(s)

A safra de escritores brasileiros, portugueses, africanos e hispano-americanos está excelente. Na minha opinião, o melhor estreante está aqui.

Das artes

sábado, 02 de abril de 2005
por Nuedos | 3 andarilho(s)

Assim quero braços como pincéis de arte. Assim em volteios no ar a espalhar tintas. Assim como asas de anjo a reverenciar a luz. Pois preciso envolver-me na Primavera, e dela farei meu cenário, e a desenharei ponto a ponto como faria Seurat.

Andando por aí

sexta-feira, 01 de abril de 2005
por Nuedos | 0 andarilho(s)

Por vezes, as rotas se tornam estranhas, e sinto necessidade de me encontrar no tempo.