11 de maio de 2008

Os sete transtornos de personalidade capitais

Com a luxúria agora rotulada de “compulsão ao sexo” e gula virando “transtorno alimentar”, não é de se espantar que os católicos estejam incertos quanto aos sete pecados capitais.

Eles costumavam ser chamados de sete pecados capitais: luxúria, gula, avareza, preguiça, ira, inveja e soberba. Eram capitais porque levavam à morte espiritual e, portanto, à condenação.

Agora, alguns teólogos não estão certos de onde fixar a linha sobre os pecados, ou mesmo, de fato, se há uma linha a ser fixada. Em nosso mundo terapêutico sentimentalista, a idéia de um “pecado mortal” que condena o pecador ao Inferno se mostra demasiado fatalista, até mesmo irracional. Hoje, a noção de culpa pessoal, que servia de base para a idéia dos sete pecados capitais, parece existir apenas de uma forma caricaturada. A cultura Ocidental pode apenas compreender o ato de pecar como um sintoma de uma lamentável doença psicológica. Comportamentos já denunciados como pecaminosos são hoje discutidos através da linguagem da terapia ao invés da linguagem da moralidade. Os velhos pecados capitais tendem a ser vistos como transtornos de personalidade que requerem tratamento, ao invés de transgressões que merecem punição.

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18 de abril de 2008

Curso de Caligrafia Artística Carolíngia

Curso de Caligrafia Artística - Carolíngia - a escrita de Carlos Magno - Curso prático com material incluso - prof. Eric Boer Nielsen - Quartas-feiras, das 14h às 16h30 - 4 aulas com início em 7 de maio - Tamarack

10 de outubro de 2007

Além da própria escrita - III

Gravar com surpresa a luz sobre a pele
Grafar os farelos, as sombras deixadas
Cravar por aqui, por ali, iminentes mensagens.

25 de setembro de 2007

Além da própria escrita - II

Gravar o fugaz em tudo e adiante
Grafar comedido a vida estancada
Cravar o que foi, na incerteza, um passeio por mim.

23 de setembro de 2007

Além da própria escrita - I

Gravar na matéria os gestos da alma
Grafar em silêncio miúdos poemas
Cravar na memória a vida toda e além.

4 de maio de 2007

Thinking Blogger Awards

Thinking blogger award Hanah, em seu Sobretudo, indicou este como um dos cinco blogs que a fazem pensar.
Obrigado, Hanah!

A iniciativa de nomear “cinco blogs que me fazem pensar” foi de Ilker Yoldas, em seu The Thinking Blog. Todo blog indicado pode indicar mais cinco e assim chega a nossa vez:

7 de novembro de 2006

Somos todos Bebezões

Bombardeados por regras tolas, conselhos “ditatoriais” e fofocas de celebridades esquecemos como ser adultos. É tempo de crescer, diz Michael Bywater.

Eu me imagino ser um adulto, como, presumivelmente, você. Você pensa que, por ter ultrapassado a puberdade e desenvolvido características sexuais secundárias, obtido qualificações e aberto conta num banco, ter se submetido ao escrutínio das leis anti-terrorismo e das leis anti-lavagem de dinheiro e ter aprendido a dirigir, conseguido um emprego e talvez uma esposa e, quem sabe, filhos, e certamente por pagar seus impostos, você pensa ser um adulto.

Por vezes, as coisas o atingem de maneira um pouco estranha. Causa estranheza, por exemplo, sair de uma aeronave e atingir o saguão do aeroporto Heathrow em Londres, e ver, pelo menos, 93 cartazes avisando-o de coisas que não fez ou que não lhe ocorreu fazer.

O fato básico é que você está sendo tratado como um bebê. Você, eu, todos nós estamos na fila de uma campanha de infantilização: nossos gostos, nossas respostas, nosso comportamento, nossos pensamentos pessoais, nossas decisões, nossos hábitos de consumo, nossas filosofias, nossas sensibilidades políticas.

Somos ensinados como pensar. Somos ensinados como fazer. Somos distraídos com cores e movimentos, protegidos, alimentados, nossas respostas são antecipadas e nossa autonomia debilitada por um conteúdo fino, rico, fortemente embasado.

Eis uma simples lista do que está implícito sobre as afirmações feitas sobre todos nós:

  • Somos incapazes de controlar nossos apetites;
  • Não podemos adiar gratificações;
  • Temos pouco sentido do eu, e o que temos é deformado;
  • Não temos uma flexibilidade interior;
  • Somos pré ou sub-letrados;
  • Somos egocêntricos;
  • Não temos habilidade para exercer autonomia responsável;
  • Exigimos constante supervisão e constante controle;
  • Somos potencialmente, senão efetivamente, violentos;
  • Não temos sensibilidades sociais além das tribais;
  • Não temos discernimento.

Ainda queremos concordar com isso? Ainda queremos ser bebezões?

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27 de outubro de 2006

Você, eu

Man with long hair

(“Man with Long Hair”, pintura de Odd Nerdrum)

(ao Cadu Nirelo)

Oscilamos em gestos, olhares e tempos. Lua após lua, saudades após partidas, ensaio murmúrios que nada dizem ou sabem. Na cabeça, o belo plasma-lhe o semblante e anima insistências de buscar serenidades. Em minha cabeça, brilham campos de trigos com joio e raiva pela tirania do tempo. Seus pés alcançam segredos e se desdobram profundos no impossível equilíbrio de trevas. Os meus buscam futuros ligeiros sem rimas em eterna flutuação. De seu ventre aflora o impar, o brilho e o absoluto. Do meu brotam espasmos e mistérios, desejos e pesar. Seus olhos buscam livres o que ainda se esboça em tudo ao redor. Os meus alcançam rotinas a me ensinar fidelidades e monotonias campesinas. Oscilamos em gestos, olhares e tempos. Somos um e somos vários. Sempre em segredo.

4 de outubro de 2006

PostSecret

Saiu no domingo, dia 17 de setembro, na capa do caderno Ilustrada da Folha de São Paulo:

PostSecret

A ilustração acompanhava uma matéria sobre o PostSecret, blog do sociólogo americano Frank Warren que já recebeu dezenas de milhares de cartões postais ilustrados com segredos anônimos.

O brasileiro em silêncio sou eu e o cartão saiu do Brasil sim. Eu o escrevi há cerca de um ano e meio atrás, quando o PostSecret recebia os primeiros destaques. Fiquei agradavelmente surpreso ao revê-lo e mais ainda ao ler que, dos cartões saídos daqui, Warren se lembra “especialmente” deste. O cartão está inclusive no seu livro, PostSecret: extraordinary confessions from ordinary lives, publicado em dezembro de 2005. Lá o cartão aparece grandioso, ocupando duas páginas.

Quanto ao meu segredo, precisei compartilhá-lo com pelo menos uma pessoa para confirmar minha felicidade e sorte. E, afinal, o que são a felicidade e a sorte?

11 de setembro de 2006

“La mer en vous comme un cadeau”

Prosobranchia. - Vorderkiemen=Schnecken.

(Ilustração de Ernst Haeckel, digitalizada por Kurt Stueber)

De todo o mar resta-me a silhueta
de verões desavisados a roubar
a medula da espinha.
Aquecidas memórias, protegidas,
salpicadas, sobreviventes.
De todo o mar resta-me você.