Pára que eu quero descer
Na vida tudo era passageiro,
menos o cobrador e o motorneiro.
Na vida tudo é passageiro,
menos o cobrador e o motorista.
Com o bilhete eletrônico
e o piloto automático,
na vida tudo será passageiro.
Na vida tudo era passageiro,
menos o cobrador e o motorneiro.
Na vida tudo é passageiro,
menos o cobrador e o motorista.
Com o bilhete eletrônico
e o piloto automático,
na vida tudo será passageiro.
Por Eric | Um comentário »
Você corre pela aldeia, enquanto espia, fala e se ouve… E, assim, escreve histórias junto com tantos outros.
Os antigos, quando legaram a base de nossa língua, diziam que o superlativo de parvus (jovem) era minimus (o mais pequeno de), cuja raiz min está presente no vocábulo menino.
Por isso, a mínima é a nota musical com valor da metade de uma semibreve. E não é para menos que a mínima seja, também, a mais baixa temperatura marcada num termômetro!
Como curumim da grande aldeia, você já aprendeu que, se cuidado desde pequeno, o caaguassu cresce forte e se expande sob o sol. E é de suas folhas que cobrimos as ocas, protegendo outros tantos menininhos, que irão correr, espiar, falar e se ouvir…
Além dos limites da aldeia, a vastidão cósmica é assustadora para todos nós!
Ah! mininim…se fazer presente, apesar da minimidade, é sinal de persistência e sobrevivência no futuro. Continue crescendo na aldeia e para além dela!
Por Moacyr | Um comentário »
Houve um tempo… muito, muito lá atrás, em que todo ofício era uma arte ou uma herança. O filho aprendia com seu pai, o que este aprendera com seu avô. O trabalho herdado acabava por dar um nome, ou melhor, um sobrenome para a família. Surgiam os Abulafia (ár., médico), os Ferreira (de ferraria, “minas de ferro”), os Cunha (de culina, “cozinha”), os Barroso (oleiros), os Medeiros (lat. meta, que lidavam com medas de trigo), os Morais (lat. mora, que cultivavam amoreiras), os Pimentel ou Pimienta (que plantavam pimentas), os Parra ou De La Parra (vinicultor), os Serero (vendedor de cera), os Funaro (it., cordoeiro), os Kassab (ár., açougueiro), os Mieli (vendedor de mel), os Kaufmann (al., vendedor), os Müller ou Miller (al., que trabalha no moinho), os Goldschmidt (al., ourives), os Schneider (al., alfaiate), os Haddad (ár., ferreiro), os Kaplan, Papp ou Cohen (sacerdote), etc.
Houve um tempo… muito, muito lá atrás, que a região ou cidade em que se habitava conferia uma referência espacial para o grupamento familiar, adotado como sobrenome. Surgiam os Alcântara (ár., a ponte), os Bastos (lat. vastus, deserto), os Caldas (topônimo com fontes termais), os Cardoso (onde havia muitos cardos, espinheiros), os Braga, Bragança e os Cintra (cidades portuguesas), os Figueiredo (onde há figueiras), os Fonseca (de fonte seca), os Fontoura (lat. fons aurea, “fonte dourada”), os Mesquita (ár. masjid, “mesquita muçulmana”), os Neiva (lat. naebis, nome de um rio), os Pádua (lat. Patavium, cidade italiana), os Paiva (antigo rio português), os Proença (lat. Provincia, forma antiga de Provence), os Queirós (extensa plantação de queiró, espécie vegetal), os Sousa (nome de rio português), os Souto (lat. saltum, “bosque denso”), os Toledo (de Toletum, capital do povo carpetano), etc.
Houve um tempo… muito, muito lá atrás, em que o pai, o nome do pai, era uma registro de pertença e, reverenciado, se fixava como sobrenome. Surgiam os Álvares (filho de Álvaro), os Antunes (filho de Antônio), os Bernardes (filho de Bernardo), os Dias (de Diogo), os Gomes (de Guma), os Gonçalves (de Gonçalo), os Hendricks (hol., de Henrique), os Marques (de Marco), os Martins (de Martim), os Mendes (de Mendo), os Nunes (de Nuno), os Rodrigues (de Rodrigo), os Sanches (de Sancho), os Simões (de Simão), os Vasques (de Vasco). E, ainda, os de origem inglesa ou nórdica, os Anderson (de André), Jefferson (de Jeffrey), os Nielsen (de Niels), etc.
Houve um tempo… muito, muito lá atrás, em que características físicas, de origem ou de caráter afloravam de maneira tão expressiva, que se tornavam imediatamente incorporados à individualidade e, portanto, ao nosso prenome. Surgiam, assim, os Crespin (cabelos crespos), os Trigueiros (de pele morena), os Bergel (perneta), os Veloso ou Laniado (peludo), os Franco (de França), os Tedeschi (da Alemanha), os Habib (querido), os Sereno (calmo), os Sedaka (caridoso), os Gusmão (al., o bom homem), os Chaves (lat. aquis flaviis, “águas sulfurosas”), os Miranda (lat., digno de ser admirado), os Veríssimo (lat., muito verdadeiro), os Furtado (ilegítimo), os Morato (it., morenos), os Nagib (ár., sagaz), os Mansour (ár., vitorioso), os Varela (pessoa alta e magra), os Vicente (vencedor), etc.
Houve um tempo… muito, muito lá atrás, em que imagens, cores ou elementos da natureza eram tomados como extensões de nosso espírito (ou do conjunto familiar) e agregados ao prenome. Surgiam, assim, os Celeste (da cor azul-celeste), os Branco ou Melul (ár., branco), os Cruz, os Leão, os Falcão, os Cordeiro, os Lobato (lat., pequeno lobo), os Oliveira, os Pereira, os Gabizon (ár., diamante bruto), os Bismuth (ár., pão endurecido), os Aguiar (lat., águia), os Albuquerque (lat., carvalho branco), os Almeida (ár., mesa), os Amorim (amor), os Avelar (lat., avelã), os Azambuja (ár., “azeitona silvestre”), os Azevedo (lat., do vegetal azevinho), os Freitas (lat. fractas, “pedras quebradas”), os Gouveia (lat., alegria), os Ventura (sorte), etc.
Houve um tempo… muito, muito lá atrás, em que simples palavras, como nossos sobrenomes, acolhiam preciosas paisagens interiores…
Por Moacyr | Um comentário »
Significando verter um líquido sem agitar o sedimento, verter de um recipiente para outro, o vocábulo deriva do lat. medieval dos alquimistas decanthare, composto da raiz de- e canthus.
Canthus, anel de ferro ao redor de uma roda de carro, aro, roda, e mais tarde designação para bico de vasilha, pode ter derivado do gr. kanthos — que, além de aro, significa também pote, vaso, ou canto do olho. Assim, decanthare significa despejar a partir do bordo de um vaso, do bico de uma vasilha.
Talvez canthus também tenha originado o substantivo português canto, pedra grande, que deu origem a canteiro. Já canto no sentido de som musical deriva do lat. cantus. E o verbo canto, -are, cantar, se origina do verbo cano. De cantare se forma decantare, que origina decantar, celebrar em cantos ou em versos, louvar, enaltecer.
Por Eric | ‘Etimologia’ | Nenhum comentário »
Escolher grãos de um cereal, em latim, se diz legere, particípio lectus.
No português, a imagem para a escolha de letras e palavras resultou no verbo ler, cuja raiz latina completa é identificada no derivado legível.
Portanto, a colheita e a seleção de leituras provisiona alimento para o espírito.
Por Moacyr | ‘Etimologia’ | Nenhum comentário »
Um outro mundo é possível:
a) só pode ser tema de samba-enredo;
b) mas custa muito caro;
c) garantida a cota de brancos e heterossexuais;
d) o Ministério da Saúde adverte;
e) afirmação não baseada em evidências.
Por Moacyr | Nenhum comentário »
Demanyana, asentada en un bankito debasho del arvole, la nona, mi granmama, con kaveyos frizados como la reyna Ester, mirava distraída la vida. Un ayre flosho meneava las ojas como una melodia. La natura paresiya estar avlando con eya.
El sol briyava en la sivdad, prometendo un diya kaente i umido (dezian “tiempo de la berendjena”).
Mi madre i la tiya, tante Carmelia, se kedavan en la kuzina i se metian de akordo sobre kualo se va gizar. Ensima de la meza, tomates, patatas, pimyentones, garvansos. Me akodri de lentejas. Mama me disho kon una sonriza en la kara: “Ke verguenza, ijiko! Lenteja no se giza lunes porke es diya de Sefer!” Konfuso yo entendiya el senso, ma no la sinyifikasion de la regula del mupak.
Al fin del pranso, komiendo um poko de fruta seka i bevyendo kafe, la nona murmuró unas reflexiones i arremató: “Kada dia no es frutas. Bendicho el Dio: estamos todos djuntos!”
Yo tenía 4 u 5 anyos i con el refrán en la kavesika, sin demandar a maman kualo keriya dezir, ambezaba del deredor para menguar la dolor de vida ke egsistia solamente en las kayes de la sivdad.
Por Moacyr | Nenhum comentário »
A maçon epilética
Mas, ontem eu fui dormir tarde… (Pausa, leva mais comida à boca, mastiga tranqüilamente) eu e meu marido… (Pausa, olhos semi-serrados, mastiga mais comida) fomos a uma festa de aniversário e… (Longa pausa, corta um pedaço do filet com elegância, o leva à boca, pontas do garfo para baixo, olhando para lugar nenhum) e dançamos muito, por que… (Som do “e” prolongado, corta um pequeno pedaço do filet) tocaram Ray Conniff, e, meu marido e eu adoramos… (Leva comida à boca, mastiga com calma, respira profundamente e levanta as sombrancelhas) desde quando nos conhecemos… (Pausa, limpa a boca) adoramos o Ray Conniff, tanto que … (Ajeita a postura, leva mais comida à boca, mastiga repetidamente) nosso filho que estava chegando da praia… (Pausa, mastiga mais um pouco de comida) quando nos viu… (Longa pausa, levanta as sombrancelhas, tensiona os lábios, dividindo o pequeno pedaço do filet no prato em dois) já riu e… (Leva o filet à boca, mastiga, respira profundamente) e falou… (Pausa) “só pela cara de vocês… (Pausa, limpa a boca) devem ter tocado muito Ray Conniff nessa festa”. (Garfa o último pedaço do filet no prato)
O programador de computadores com celular de R$ 1.800,00
É, moveram os arquivos. (Levanta da cadeira num salto) Como dizia um professor meu do colégio, a economia é a base da porcaria! (Ri de si próprio) a base da porcaria, (diminui o volume da voz) da porcaria, da porcaria, da porcaria… (diz para si) porcaria …
Por Eric | Nenhum comentário »
Un médiko entró a bizitar dos jazinos, i bido a el uno ke ya estaba para morir i no abía esperansa de él, i le dixo ke le dieran a komer de todo lo ke demandaba; i a el otro jazino, ke lya estaba en puerto salbo para sanar, lo akabidó munco en kuento de la komida ke se rezirá kon buen orden, ke no komiera tal koza ni tal koza, sino todo lo ke tenía de komer fuera bien ezmerado.
Por Moacyr | Nenhum comentário »
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