Arquivo de julho de 2004

14 de julho de 2004

Gloßário: amalgamar

Fazer amálgama, liga de metais em que o mercúrio constitui um dos elementos. Amálgama deriva do lat. dos alquimistas amalgama, por sua vez originado do árabe al-malgama.

É incerto, mas amálgama pode ter origem através do gr. malagma, do verbo malassô (tornar leve, suave), por sua vez derivado de malakos. Malakos também é origem do vocábulo latino mollis, origem do português mole.

Dos metais mais comuns, mercúrio (Hg) é o único líquido em temperatura ambiente. O nome latino do metal é hydrargyrus (água de prata). Talvez daí a origem de amalgamar passar por malassô. Ainda que o metal seja pesado, ele é líquido, mole.

Para os romanos, Mercurius é o mensageiro dos Deuses, o Deus do comércio e da comunicação. Mercurius é, para os gregos, Hermês Trismegistus, o autor da civilização, invertor da escrita, arte, ciência e religião. O Deus se associa simbolicamente ao elemento ar, por reger os processos do pensamento, das idéias, das imagens. Daí novamente amalgamar aludir ao malassô. O ar, assim como o pensamento, é leve.

De qualquer forma, amalgamar é processo para tornar o mercúrio sólido, através da reunião deste com outro elemento.

13 de julho de 2004

Brasil Profundo 1 - Maranduera

Mi chamam Diacui. Casei cedo. Curumiassu cutuba (esboça sorriso)… Os curumi vieram…três. Juntava coivara…cori-aúb. Cunhã forte, eá! Cuara no céu, cunhã na roça. A copissaba fazia vista, eá! E ele (esboça sorriso triste) na pirareiýia. Mena forte. (Silêncio longo). Tiro matou ele (choro). Os kybira também (choro…longo choro). O jucassara branco pôs fogo (choro convulsivo). Moangaúba de morta (olhar perdido). Fugi (silêncio). Cassoca preso na garganta. Meneõ e covarde, eá! (longo choro). No jabacuara deixei só o medo. A embyra do abunã pros bicho. No bocó, só o vazio (longo silêncio). Emonã fiquei só. (choro). Mi leva daqui, tapé!

12 de julho de 2004

Ken será o próximo?

Fiquei indignado ao ler a notícia sobre o avanço ocorrido na utilização da cirurgia plástica. Já é possível transformar qualquer um em lindo. Em pessoa lindíssima. Assim como a Barbie, para se ter uma idéia.

Me abalou. Eu que sou lindo de nascença…

Olha a Nova Gramática! É um real!

– Poderia escrever algo aqui?
– Ah sim, pode.
– Mas… você gostaria que eu escrevesse aqui?
– Gostaria. Pode escrever.
– Será algo obsceno, vulgar, violento… eu poderia?
– Pode. Escreva.
– Mas… você gostaria que eu escrevesse algo assim?
– Escreve logo, ô puta que pariu!

Tradução:

> pdria tc aki???
> ok, pd!
> hmm…..vc gstria q eu tcsse aki???
> gstria! pd tc!
> vai sr obcenu, vlgar, violentu heimmm! pdria???
> pd! deita o cblo!
> hmmm…vc gstria q eu tcsse 1 treco assssim???
> tc logo! PQP #&!@%*!

10 de julho de 2004

What you see is what

What you see is what you see.

Frank Stella (*1936 - )

9 de julho de 2004

À Sombra do Herói

Velei armas em teu lugar.
Pela manhã, tornastes cavaleiro!
Guardei-te à distância…
adivinhando teus apelos nas anemias futuras.

Biografia Olfativa

Cheirei tua pele!
Cheirei tuas fraquezas
(cheiravas à juventude).
Cheirei tua silhueta.
Cheirei tua partida…
Tudo enfim… cheirou-me a destino!

8 de julho de 2004

Gloßário: mania

O vocábulo deriva do lat. tardio mania, -ae, originado do gr. mania (loucura), por sua vez formado a partir do verbo mainomai (enraivecer-se, ficar furioso).

Loucura. Etimologicamente, o ato de enraivecer-se, de enfurecer-se.

Interessante observar que, em latim, além de mania significar loucura, Mania para as crianças era um nome de “bicho-papão”. Na religião dos romanos, a mãe dos Lares era chamada de Mania. Mania, -ae é o feminino de Manius, -i, e ambos derivam de mane, do antigo manus (bom). Manes, -ium também deriva de manus, designando bons espíritos.

Lares eram divindades adoradas em Roma. Originalmente seres humanos elas próprias, viveram na Terra e, tornando-se espíritos puros depois da morte, pairavam ainda sobre a habitação em que uma vez moraram para vigiar sobre sua segurança e para guardá-la com cuidado, assim como um cão fiel cuida dos bens de seu dono. Haviam diferentes classes de Lares: Urbani protegiam cidades, Familiares protegiam casas e famílias, Rustici protegiam o campo, Compitales os atalhos, Marini o mar, Viales protegiam as estradas etc.

De acordo com o escritor romano Apuleio (circa 120-180 d.C.), os daemonis que uma vez habitaram, como almas, corpos humanos, eram chamados Lemures — este nome então designou, em geral, o espírito separado do corpo. Tal espírito, se adotava sua posteridade — se tomava posse, com força positiva, da residência de seus filhos — era chamado Lar familiaris. Se ao contrário, por causa das faltas cometidas em vida, não encontrava no túmulo um lugar de descanso, ele aparecia para os homens como um fantasma; inofensivo para os bons, mas terrível para os mal intencionados — como um “bicho-papão”. Neste caso era chamado Larva. Porem, como não havia um meio de apurar precisamente qual seria a sina de uma pessoa falecida, se havia se tornado Lar ou Larva por exemplo, era costumeiro dar ao morto a denominação geral de Manes.

Terá a loucura associação com os fantasmas de nossos ancestrais?

7 de julho de 2004

Gloßário: considerar

O vocábulo deriva do lat. considero, -avi, -atum, composto de pref. con- e sidus, -eris (grupo de estrelas, constelação).

Contemplar as constelações, observar as estrelas unidas em figuras. Assim, a astrologia e a astronomia são, por excelência, exercícios de consideração. Na antiguidade, as estrelas eram naturalmente utilizadas na orientação das viagens terrestres. Os árabes orientavam-se pelas estrelas quando as suas caravanas atravessavam os desertos. A estrela de Belém orientou os Reis Magos. Os navegadores, ainda hoje, quando não há o sistema de navegação via satélite, se baseiam em estrelas para orientação espacial. Desde as primeiras navegações no Mediterrâneo, se tinha a estrela Polar como referência.

Estando em nosso planeta, precisamos de referências externas para nos localizarmos em sua superfície. É como se, estando em um espaço que, para frente, para trás, para a esquerda e para a direita parece infinito ao horizonte, e tudo que se move neste espaço também se move em relação à ele; apenas um ponto acima dele, que se move regularmente e independentemente dele, nos assegurasse da nossa real localização neste espaço. O mesmo deve se aplicar sobre nos localizarmos como indivíduos — sei quem sou e para onde estou indo quando tenho uma referência externa, o outro, na minha frente.

Além de servirem como referência para localização espacial, as estrelas também permitiram o desenvolvimento da percepção temporal. Existem indícios de que, na pré-história (há 20.000 anos), eram feitas marcas em ossos para contagem dos dias entre as fases da Lua. Atualmente existem calendários baseados nos ciclos solares, como o calendário cristão, nos ciclos lunares, como o calendário islâmico, e nos ciclos do Sol e da Lua, como o calendário hebreu. O calendário dos Maias (2.000 a 1.500 e.C.) baseava-se também no planeta Vênus. Os dias da semana têm relação com as sete divindades astronômicas Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno, que ainda está presente explicitamente, por exemplo, na língua espanhola (Domingo, Lunes, Martes, Miercoles, Jueves, Viernes, Sábado)* e inglesa (Sunday, Monday, Tuesday, Wednesday, Thursday, Friday, Saturday)**. Conforme o Velho Testamento, Deus disse no quarto dia da criação: “Façam-se luzeiros no firmamento dos céus…; sirvam eles de sinais e marquem o tempo, os dias e os anos” (Gênesis, I, 14).

O vocábulo pode ser entendido mais amplamente como observar atentamente a natureza, já que sideris também designa céu, noite, estação do ano, clima.

* Domingo deriva de Dominica dies, dia do Senhor. Sábado é uma referência ao sabá judaico, dia em que Deus descansou ao completar a criação (Gênesis, II, 1-3).

** Alguns nomes se referem a divindades anglo-saxônicas ou nórdicas. Tuesday equivale a Tiu’s day, Wednesday a Woden’s day, Thursday a Thor’s day, Friday a Freya’s day.

O jovem skatista deixou de usar joelheiras a conselho de seu velho e experiente pai

– Você tem que se ralar muito na vida …