O herói retorna do pico da mais alta montanha até a civilização, trazendo o cálice sagrado. A Lua ilumina seu caminho ansiosa. Depois do último horizonte avistam-se duas torres, o portal da cidade. Dentro da floresta, lobos e cães uivam. O herói segura com ainda mais firmeza o cálice, a consubstanciação celestial do sucesso de sua jornada. Ele se sente forte para dar seus últimos passos, depois de ter enfrentado o medo em muitas selvas e pântanos escuros.
Ouvindo ainda os sons dos animais e de um rio que cruzou no caminho, o herói atravessa o portal e avista um cidadão conhecido.
– E aí mano herói? Se liga na bolinha do zóio, que o movimento na noite tá pampa.
O herói cumprimenta o amigo que chegava da balada e exibe o cálice sagrado, iluminado parcialmente pela Lua.
– Olha o cara. Que papo é esse, mano? Que merda é essa? Porra, lá vem tu com esses bagulho escroto de novo? Não é da galera do surf, não é da galera do skate… E agora a galera é toda clubber. Cadê teu pierce, maluco?
O herói atravessa o portal e encontra um amigo que chegava da balada acompanhado da galera.
– E aí mano herói? Se liga que a galera agora é toda clubber.
O herói entra e encontra a galera chegando da balada. Avista a donzela iluminada parcialmente pela Lua e cumprimenta um amigo que se aproxima.
– E aí? Se liga que a galera agora é toda clubber e a mina tá comigo agora. Cadê teu pierce, maluco? Que merda é essa que tu tá levando? Passa pra cá…
O herói chega e avista a mina, iluminada parcialmente pela Lua. Um mano da galera que está com ela avança, se colocando entre a mina e o herói.
– Se liga mano, que a mina tá pampa e tá comigo agora. Que roupa é essa? Que papo de auto-ajuda é esse, maluco? Que porra é essa que tu tá levando? Passa essa merda pra cá…
O mano dá uma bica no herói, arranca o bagulho das suas mãos e sai arrastando a mina. A mina grita.
O herói se levanta quando começa a aurora. Olha ao redor e não vê ninguém. Ele está fora da cidade. Sangra e lembra que foi humilhado por causa de uma mulher. Uma vagabunda qualquer…
Monta num cavalo que estava amarrado ao portão da civilização e sai cavalgando livre em busca de uma montanha ainda mais alta, com o caminho iluminado pelo Sol.
Deixa o mano humilhar os outros manos da galera, por causa de uma vagabunda qualquer…