para A.L.
Era uma vez um anão de jardim feito de pedra, cimento e cal e as pessoas lhe diziam:
– Como és feio! Como és horripilante!
E repetiam isso sempre, sempre, sempre, sempre e sempre.
O anão feito de pedra, cimento e cal clamou aos céus:
– Dai-me esperanças para ser feliz para sempre!
Então o D’us dos anões de jardim o tornou ainda mais feio e desengonçado e rídículo do que se-podia-imaginar.
Desesperado o anão de jardim feito de pedra, cimento e cal chorou muito. As estrelas o ouviram chorar e lhe fizeram companhia durante aquela noite. Pela manhã um vendaval arrastou triunfalmente o anão de jardim feito de pedra, cimento e cal para o jardim real bem no centro do lago e ficou muito parecido com chafariz. Mas só parecido.
A filha do rei e suas criadas surgiram para o banho matinal pois no céu não havia mais cumulus nem cirrus nem nimbus e então se despiram e entraram nuas no lago e o anão de jardim feito de pedra, cimento e cal não conseguia acreditar: nadavam em sua direção.
E aí a princesa falou:
– Será que é um chafariz?
E as criadas responderam em coro:
– É óbvio que não! Se fosse um chafariz haveria um buraco para sair água como num chafariz!
Daí a princesa começou a apalpar o anão de jardim feito só de pedra e cimento pois a cal já se derretera em meio a tanta água. Em sua mente buscou palavras para descrever pormenorizadamente a princesa que o apalpava e não conseguia pensar enquanto o cimento se desfazia.
Aí a princesa sorriu e falou:
– Vamos levá-lo para o meu quarto que eu quero casar com ele!
E assim se fez.
Mas antes de levar o anão de pedra para o quarto ele já tinha virado um anão de verdade.
No quarto então ele se transformou em um príncipe ainda feio mas como a princesa também era feia deu certo e eles se casaram com alianças de ouro e bolo de marzipã e gostavam de nadar no lago.