É errado querer bem todo o mundo. Senão como dizer: você me é especial! Seria injusto para com os outros, não é? Privilégio desonesto. Deve-se não gostar de ninguém e, quando amar, entregar-se até a morte.
// sent by Asyd Iqob, mestre(?) babilônico
É errado querer bem todo o mundo. Senão como dizer: você me é especial! Seria injusto para com os outros, não é? Privilégio desonesto. Deve-se não gostar de ninguém e, quando amar, entregar-se até a morte.
// sent by Asyd Iqob, mestre(?) babilônico
Havia duas chamadas na secretária eletrônica. A primeira nada registrava. Na segunda, ouvi sussurrar: — “Forget! It’s better!”
Apraz-me comer peras desde pequeno e, ainda que pequenas, sinto-me à margem do tempo oficial e burocrático (como o dos relógios de repartição). Peras as como secretivamente, para não dividi-las com ninguém. Na infância repetem: é feio o egoísmo. É mentira. E mentira confirmada por adultos quando falam sobre a vida conjugal, o peso ideal ou receitas de felicidade. Cresci, é verdade. Sufoca-me a vergonha de mentir.
– Quando você me chama de “burro”, acho que você não gosta de mim.
– E quando você me chama de insensível, é como se me dissesse também que não gosta de mim.
– Quando você diz que não gosta do meu corpo, está dizendo não gostar de mim.
– E quando você diz ser eu alguém que desrespeita o D’us, acho também que você não gosta de mim — refletiu o homem consigo mesmo.
Aos condôminos do Alvorada: meu coração é verde, amarelo, branco, azul-anil! Tá faltando pouco para as eleições!
1.
Antes do beijo de boa noite me deixavam folhear o livro de histórias. A gravura do final do livro era uma velha senhora à janela com tristeza e pesar nos olhos. E eu pensava: se, no meio da noite, ela chorar, não terá pais para falar-lhes sobre os medos.
2.
Eu pintava o sete, dizia-se em casa,
antes de ir à escola e
aprender as primeiras letras.
Depois me ensinaram Matemática e
passei a escrever o sete nas tabuadas, nos
cabeçalhos e até nas equações.
Pintar ficou só para as horas sem nada para estudar.
Desde então comecei a morrer, imagino.
3.
Meu irmão tinha golpe de vista. Acertava sempre no alvo e ganhava os caramelos do apostado. Coisas de família: ele se tornou diabético e tem graves problemas de visão. Eu, que fiquei a procurar nas entrelinhas os não-ditos, temo pelos anos vindouros entre os homens!
4.
Importa menos o pecado.
Importa mesmo é livrar-se das culpas.
No verão, podemos visitar Nossa Senhora do Alívio na Estela de Póvoa do Varzim.
5.
As regras da boa escrita tomavam-me
muito tempo. Eu preferia deitar-me no
quarto de meus pais e admirar o guarda-fato
com espelho e gavetão (eram dois, insiste meu
irmão). Eram tantas as exceções que passei
a duvidar da Gramática e me tornei cientista.
6.
É feio cantar vitórias, dizia-se às criaturas. Pode-se desafinar e ferir os tímpanos de desavisados ou de sensíveis. E, quando se desafina ao cantar, até mesmo a ordem cósmica pode ser perturbada. Isto é muito grave, quase um pecado. Se cantarolamos sem desafinos, os anjos se regozijam. Agora, quanto a vitórias, é preciso ouvir com reservas ganhadores e perdedores, para o mundo não desafinar.
– Oi Cris, e o fim de semana? Vamo lá?
– Sem chances, Fê. Meu pai tá fulo: o lance do celular inda tá rolando bravo.
– Tadinha. Cris vc me ama?
– Ainda. Mas hoje num tô sussa. Na boa, tá?
– Puta la mierda Cris. Tô no sufoco!!!!
– Kra, tô no lerê-lerê: trabalhos da Facu. Chama na inspiração, hehehehehehehe.
Eu não proferi um discurso qualquer. Discorri sobre o proibido para os humanos. Sobre mistérios e encantamentos rabínicos que povoam talismãs e oásis. Hoje, nada mais se proclama fiel à tradição sem eu contestar. Previno: a cada verso de meu testamento, leia apenas a segunda letra. Apenas. Nada mais deploro. Avisto-me delirante.
Troco modem por sua foto 3×4.
Troco laserjet por convite para ver o mar.
Troco cadastro do Orkut por você!
Continuo bonzinho, quietinho, caladinho, quietinho, bravinho!