Versteeg era sinônimo de sobriedade e não apenas um sobrenome. Marius, avançado na idade, tinha em Calíope a certeza de companhia e de morte indolor. Rabugice e dedicação os mantinham atados estranhamente. A prestimosa enfermeira regulava a dieta, os medicamentos e suas espaçadas horas de sono. E o que esperar de um ancião de 80 anos? Me digam, o que esperar?
Antes do outono, perguntou emocionado se Calíope gostaria de se tornar a senhora Versteeg. Do sim ao casamento, a família enlouqueceu. Calíope o amava. Marius Versteeg precisava de um futuro. Viveram felizes por vinte anos!
Perdeu os dentes, alfabetizou-se e sonhava ser bombeiro. Estação de lutas para abandonar o anonimato. Esportes e grupo armênio escotista equilibraram o pendular anímico. Enamorou-se, adiou a faculdade, e o casamento foi antecipado. Filhos, as drogas e os filhos, a esposa sensual e o onipresente projeto da casa nova. Um ou dois infartos e o sonho de revisitar a cidade de origem. Comemoravam o final do ano da empresa em um piano-bar. Um cálice e a sedução fulminante do garoto de programas. Depois do motel barato, o soube filho de amigo da infância. Estão juntos há 6 anos!