Gumercindo declinou do convite fraterno. Percebeu a tempo a sorrelfa e não se deixou enganar. Afinal, Gumercindo era desataviado sectário de Nossa Senhora da Porciúncula. Seu decoro o tornava diamantino aos olhos do populacho um tanto viperino pela condição da miséria intelectual.
Afonsino, o único irmão, era um réprobo sórdido e vivia a se ocultar nos confins da moralidade insana. Desajuizado, se fazia assíduo na convivência com o mulherio do ribeirão.
Além de tudo, o procaz convite se preenchia de sigilos e silêncios. Afonsino apenas insistia: — “Aceitas ou não?”
Gumercindo, porquanto duvidasse da condição ética e moral de Afonsino, recolheu-se silencioso após a conversa sorna a que se seguiu.
Ao entardecer, buscou o confessor para livrar-se da árdua sobranceria na convivência fraterna e do paleio desafortunado. Somente o sacramento da confissão podia expurgá-lo de tudo, concluía Gumercindo.
A primorosa escuta e o desvelo do cura em apurar minúcias do aleivoso convite de Afonsino restituiu-lhe o prumo. Gumercindo santificara-se, uma vez mais, aos olhos do Criador e osculou o porta-paz.
Na madrugada, o silêncio da vila se rompeu bruscamente. O cheiro de fumaça concutia o pânico no populacho que se acotovelou no rossio.
Os gritos, no interior do convento, cessaram logo depois.
Dentro do claustro, junto à torre do sino, o espanto consternado: sufocados pela fumaça e vestindo sotainas, jaziam o cura, Afonsino e algumas vadias do ribeirão no fero cenário de festim libertino.