O outro existe
O outro existe
O outro existe
O outro existe além de mim.
Arquivo de novembro de 2004
Lição de casa
segunda-feira, 22 de novembro de 2004Incúria
segunda-feira, 22 de novembro de 2004Folheava álbuns em busca de imagens, sem perceber o belo a rodear-lhe!
Propedêutica – V
segunda-feira, 22 de novembro de 2004Como quando alguém diz: a vida é bela
não como uma bela panela de arroz
que se vai comer. É bela
por não se poder comê-la embora
seja bela como querem uns
a vida é bela, para uns mais que para outros
outros que talvez possam comê-la como
a uma bela panela de arroz
E aí a vida se torna muito bela
e com a boca cheia de arroz
mas aí é como quando alguém
diz: está perdendo uma grande chance
de calar a boca!
// sent by Asyd Iqob Ibn Iqob
Cena partilhada
sábado, 20 de novembro de 2004Na madrugada, desfilaram pesadelos de galeões e marinheiros sensuais. Ao despertar, ela sorriu para o gato e não se lembrou de buscar o cigarro.
Tudo é uma questão de estilo
sábado, 20 de novembro de 2004(da série Tremendos Remendos)
Outrora vivia a pequena e ruiva Jacquetta H.Gattwick, órfã de Albin e Constance Gattwick, ambos mortos em disputas religiosas na Irlanda. A pálida Jacquetta H., entregue ao tutor Jerôme D’Armancourt, passava seus dias a deambular com passinhos desengonçados em uma modesta vila campestre. Atado à cintura da frágil Jacquetta um cadeado de metal em uma grossa corrente de ferro. Os moradores da região, visivelmente abalados, indagavam sobre a necessidade de semelhante adereço. A menina atormentada explicava: -”Mamãe dizia que, mesmo após a edição das Encíclicas, o rebanho cristão mostrou-se descuidado com os pecados a adentrar no santuário de nossos corpos!” E, de joelhos, a pequena Jacquetta H.Gattwick concluía mergulhada em lágrimas: -”Ao carregar os votos, pelo poder dos cadeados, a fé se fortalece!”
Às vésperas de seu primeiro divórcio e terceira união conjugal, a agora transtornada senhora Jacquetta Gattwick Stroessblas, editora de moda da Günther & Huiss, revela melancólica que sua cintura não se ajusta aos modelos de qualquer coleção feminina, exceto no ready-to-wear spring/summer 2005 do designer John Galliano.
Em tempo: no próximo verão inglês, adoraria passar-lhe uma cantada sem classe.
Mensagem interna para o Webmaster
sexta-feira, 19 de novembro de 2004E ae, véi? O à mão sai ou não sai?
Recebe o afeto que se encerra em nosso peito – Powerpoint
sexta-feira, 19 de novembro de 2004Cena 1
Som: aquela linda música de um sabonete qualquer
Imagem: crianças de algum campo de extermínio de refugiados
Mensagem: o amor pode nascer da dor (com três exclamações)
Cena 2
Som: aquela linda da Sandy & Júnior (qualquer uma. São todas lindas!)
Imagem: cachorrinhos dormindo num cesta com gerânios
Mensagem: amor? dor? (muitas interrogações pulando)
Cena 3
Som: aquela música do comercial do Banco Santos (de trás para frente)
Imagem: canteiros da Granja do Torto em Brasilia
Mensagem: e você pode, agora, começar a entender o que é o amor!
A pedido – 4
quinta-feira, 18 de novembro de 2004Ó Zuleide sou eu di novo! Que Deus te abençoa muito! Menina a vida tá uma correria que nem ti conto. Fui mandada embora do telemarque, os menino tá tudo com gripe, a Jandira dizistiu do curso de cabelelêra e até perdeu o dinhêro da matrícula e o Andrade pegou a mania de virar crente evangélico. E aí eu se pergunto Zileide: pode tudo isso acontecer pra gente de uma veiz? Pode Zuleide? E aí a vida virou de ponta cabeça qui nem qui quando os menino planta bananêra. Zileide quano as preocupação da vida pega e enche a cabeça da gente, a gente tem de ficar calma como diz o Padre Marcelo Rosse depois do terço. Mais aí é que são elas. É difícil viu Zuleide porque os nervo da gente fica tão atacado que nem pensamento bão vem na cabeça da gente. Aí a Jandira de ver o meu dizispêro até falou, vai ver que é inveja das braba das colega falsa lá do telemarque. E aí depois de rezá muito pra afastar essas inveja tudo ficou mais calmo, graças a Deus. Ó Zileide fiquei morreno de medo de ter que tomá de novo aqueles remédio pessiquiátrico pra cabeça que só intochica a gente. Zuleide agora vamos pras notícia boa. A Walcicleide, a filha da Dona Faustina costurêra voltou aqui no conjunto pra me dizer que depois daquela conversa daquele dia que a gente teve ela já tá mais calma também. E que nem fica mais se inchendo o dia inteirinho de pão de batata com catupiri falsificado e de pastel de fêra como eu falei nos conselho. Viu Zuleide como as técnica de pessicologia do convencimento do telemarque funciona? Ela até que ainda me pediu pra dar uns conselho pro irmão dela o Waldocleison pra pôr na cabeça dele que é melhor estudar compultação que virar jogador de futebol. É que ela disse que cansa menos. É cada coisa que acontece com a gente, né mesmo? Bom Zileide quando eu tiver tempo pra conversar de novo eu mando outro zemeiu para você. Agradece o moço do brogue de novo. Um beijo no coração. Pelo menos a gente tá na correria, mas tem fé e continua na luta. Tem gente aí que tá na pior. Ó Zileide o pessoal daqui de casa tá mandando beijo também. Até a próxima, se Deus quiser.
Da série “Depoimento verdade”
quarta-feira, 17 de novembro de 2004Ainda não aceito o medo da morte;
ainda gosto de ouvir histórias de amigos;
ainda gosto de cheiro de bolo de fubá;
ainda me lembro da paciência do moré Eliezer nas aulas de hebraico;
ainda não li tudo o que precisava;
ainda respeito a dor do próximo;
ainda não “rasguei” o verbo como gostaria;
ainda deixo para depois o que posso fazer agora;
ainda considero os amigos como tesouros da vida;
ainda desconfio de gente que pisa macio e oscila a cabeça;
ainda me espanta a minha própria fúria;
ainda não sei esquiar na neve;
ainda creio ser a adolescência uma doença mental quase sempre passageira;
ainda me diverte nomear qualquer iogurte de Danone;
ainda penso ser a psicanálise uma pura perda de tempo;
ainda me envergonho de ser egoísta;
ainda quero voltar a flanar em Brugge;
ainda não sei para quem dar meus soldadinhos de chumbo;
ainda tenho medo de pessoas, mesmo as não muito estranhas;
ainda me resta saudade de caneta tinteiro;
ainda me espanta o desrespeito à velhice;
ainda gosto de buscar paisagens na memória;
ainda detesto hermenêutica;
ainda me incomoda a falta de pudor de certas pessoas;
ainda não consigo controlar o meu tempo;
ainda não aceito palavras doces de um coração amargo;
ainda me revolta ouvir pregações moralistas;
ainda guardo segredos sobre fisiognomonia;
ainda desconfio de que depressão e covardia são sinônimos;
ainda me fascinam as idéias ingênuas de Matila Ghyka sobre arte e vida.
Envelhecer – 9
terça-feira, 16 de novembro de 2004Prepara o futuro e não esquece o passado, Asyd!