Para o pecador, a calma é mais distante. Se beijei, tinha que ser. Na vida só tem os possíveis. E então, penosamente ficou sem dar satisfação. A bofetada e todos os disparates valeram seu vigor. Só a coitada gemia. E dos remendos nada ficou coerente. Só as lufadas de olhar desescondido. E o resto, a lenga de sempre. A vizinha penhorada e de olhos esbugalhados maldizia a sina. Como se não houvera razão para a gritaria. Desejo é como briga: ninguém sabe bem se termina. Outrora, não discutia. Nem raiva subia na boca. A fisgada no pescoço arrematava-lhe a figura. Era um pecador dos Mandamentos. E para ele, a calma corria longe. E eu ‘tou fazendo conversa comprida pelo temor de julgar. Duvida? A moça galopou com os olhos pela janela, igual ararinha de gaiola. Premissa de covarde, promessa de fuga. Não se espante. É figura de manha que vai se arrepender. O beijo era filho da vida, como as águas que alcançam até gente que não presta. E esquecer de coração não se pode, assim como se ama a língua da terra. Não tem jeito. Fui e vou quando me aprouver. ‘Tou em pecado, porque atrasei de conhecê-la. De resto, nenhuma culpa carrego. Só a de ser menino sem rodeios. E já vou para o embora.