Brasil Profundo 4 - Bangüê

O fogo no bangüê… inda me alembro. Tristeza só. Tava na cafua e a mucama me salvou. Era noitinha. Nasci no engenho de bangüê. Vivi no canavial. Poucos fugiu pro quilombo. Sinhozinho bão. Tinha um mulato com Nhá Zefa. Nas festa de São Binidito, só comia acarajé, vatapá, xinxim. Fartura das grande. No canavial, um mameluco xingou o mulato de Nhá Zefa. Mas ele era bamba que nem Sinhozinho. Sungou as calça pro mameluco curinga, que se enterrou pros cafundó. Eh, eh. Depois do fogo, sobrou só eu e a mucama perdido nesse grotão. Depois ela foi também. Já sou corcunda, banguela, mas se alembro dela e do acaçá branquim nas folha de bananeira. Era um cafuné pra mim. A mucama tá no céu mais Nossinhora. Lá é só fartura das grande. Aqui, só fubá. Eh, eh.

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