Uso a palavra como quem experimenta manga. Algumas se oferecem doces, outras nem tanto. Por vezes, o cheiro se debruça sobre mim e não me larga. Outras, fica à distância a me exigir paciência. Palavras são como mangas: na forma com que se moldam, na estampa com que se colorem, na textura com que se agasalham. Em meu coração, há palavras que não se escondem, como mangas expostas na fruteira. Tenho gula por palavras. As mangas me fazem sentir um alquimista a buscar cheiros, cores e texturas. As palavras, um menino em busca de surpresas.