Perfil

Sou o que se despede inquieto a evitar o olhar e abriga o impensável em névoas de silêncio. Pelas manhãs, acolho a efêmera tormenta oblíqua e o vibrante desmaiar das possibilidades. Quando anoitece, relembro a solidão do verbo e outorgo a impermanência e o abandono de distraídas dores. Reunir borrascas, aquietar demências, chafurdar o medo: eis meu ofício e castigo. Sei-me excluído da poesia.

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