Tormentos, ameaças
A força do desamor e do banimento amorteceu minhas entranhas. Abandono-me amedrontado em meio à desoladora batalha. No fundo de mim mesmo, estão exauridas quaisquer possÃveis fontes de intrepidez, dedicação e obstinação. Dúvidas e incertezas se tornaram companhias permanentes nessa viagem infernal, desnecessária, injusta.
Toda a jornada se fez por desvios. Repetidamente ensaiei minha morte, repetidamente possibilidades foram obstruÃdas. Balizas me foram arrancadas e, assim, me intranqüilizei o tempo todo. Senti-me perdido em mim mesmo, atormentado por erros, com total certeza da incapacidade de completar qualquer tarefa. Sei-me incapaz de aceitar mais obstáculos e estorvos. Fracassos, perdas e desenganos selaram a minha caminhada.
Encontro-me abatido em um sÃtio de desassossego e desapego. É a covardia dos desistentes que me envolve nesse momento de trevas. Tudo em minha vida foi maldição: eis-me pleno para recusar qualquer desprezÃvel misericórdia.
Incapacidades pontuaram minha história vulgar e indigna. Preenchido por adversidades, aprendi a odiar mais e a me cegar na totalidade. O ódio fecha meus olhos para qualquer possibilidade de luz, e descortino a trágica solidão do meu ser.
Esmoreço perturbado, desatento, entorpecido. Rodeiam-me contendores e inimigos. Desejo perder e me calar.