(Para Jamille S.)
Isto de esmiuçar e de reler a memória de seu corpo tinha de acabar. Pelo bem de minha alegria e para eliminar o ar circunspecto. Por isso, de um pólo ao outro, explorei os mistérios de sua topografia e me deparei com ecos de seus ancestrais. E me fiz cúmplice de multidão, paisagens e vozes a acenar ao meu indiscreto olhar.
E testemunhei o encanto e os esgares de tímidos sóis em sua tez, como a burilar solenes geleiras. E espreitei o vento do desértico areal a percorrer a filigrana de seus pêlos. Atravessei, assim, alagados vales em suas coxas e, então, flanei nas estridentes brumas de suor a lhe reluzir a pele. E admirei seus cabelos finos qual véu de remotas estrelas quase a despertar. E, no abismo simples, delicado e belo de seus lábios, depositei afagos breves para lhe preservar a paz.
Entresonhado, degustei as mil e uma sombras de seu corpo, e aquietei os olhos num silêncio doce, e suspirei contente sempre a desejar.