Motivo de ausência - II

Ausentei-me para evocar indagações. Os frascos de vidro colorido se amontoavam pelo balcão amarelecido da sala. Meu pai me segurava pela mão. E pouco conversamos. Uma opção, talvez. A luz tremelicava sobre o balcão. Um vento frio e o cheiro de éter se espalhavam pela sala e pediam urgência, urgência. O terreno movediço da fala argumentava pela loucura, pela dor. O não-dito estimulava a imaginação. Hoje, os frascos de vidro colorido são apenas parte do acervo da memória. Na passagem, a tabuleta dizia: seja breve.

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