Arquivo de maio de 2005

Estado anímico atual: feliz

terça-feira, 24 de maio de 2005

A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Prá que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor

(Vinicius de Moraes/Tom Jobim)

Horror em minha infância

terça-feira, 24 de maio de 2005

Caperucita Roja
(Francisco Villaespesa, 1877-1936)

– Caperucita, la más pequeña
de mis amigas, ¿en dónde está?
– Al viejo bosque se fue por leña,
por leña seca para amasar.
– Caperucita, di, ¿no ha venido?
¿cómo tan tarde no regresó?
– Tras ella todos al bosque han ido
pero ninguno se la encontró.
– Decidme niñas, ¿qué es lo que pasa?
¿qué mala nueva llegó a la casa?
¿por qué esos llantos? ¿por qué esos gritos?
¿Caperucita no regresó?
– Sólo trajeron sus zapatitos
¡Dicen que el lobo se la comió!

(Obs.: anos de Psicanálise para dar conta!)

Resposta ao leitor

segunda-feira, 23 de maio de 2005

W., reconheço-lhe o genuíno interesse sobre os caminhos do processo criativo na arte. É-me difícil responder-lhe a indagação. No geral, o cotidiano se rege pelo utilitarismo e pela vontade. Por tal, já enfrentamos os limites da catástrofe resultantes da manipulação do mundo em sua totalidade. Urge, pois, uma mudança da mentalidade individual. O poeta, para criar, precisa transformar o seu querer. Como? Purificando sua vida de pensamentos: atentar-se às classes de palavras, às frases e suas composições e à extensão dos conceitos, ângulos privilegiados pelo olhar, com isenção e rigor contínuos, além de viver e compreender o seu presente. Tarefa bastante exaustiva, concorda? Imprescindível, porém, na formação do artista. Só mais adiante, ele poderá se debruçar com delicadeza sobre a variedade de sentimentos, exercendo o chamado sentir reflexivo. Por fim, com a atenção desperta, o poeta poderá exercer uma vontade doce, a partir das, agora despertas, forças da consciência. Essa vontade doce, a que me referi, é uma vontade invertida, entregue ao mundo, e que se origina da atenção e do amor. É a mesma forma de vontade de que se vale a criança para aprender a falar e a descobrir a vida.
Transcrevo, a seguir, um antigo poema para sua apreciação e desejo-lhe boa sorte.

Assim nasce a solidão

até o raio
se entrega às nuvens
para clarear o céu

e a chuva
ao solo
para verdejar o campo

a displicência resseca o olhar

Despertar a escuta

segunda-feira, 23 de maio de 2005

John Cage encaminha-se para o piano e toca uma grande pausa, executa o silêncio. E, assim, podemos ouvir os sons do mundo que não seriam ouvidos se o piano tocasse. A poesia está oculta nos sons. Poesia é música. É a música do mundo.

Post scriptum

domingo, 22 de maio de 2005

(para Cadu Nirelo)

Vocacionei-me para a ironia desde sempre. Por isso, não temia desapreços. Eles me inflamavam e pontuavam minha caminhada de sorrisos rasos. E, com isso, não me desalentava. Até conhecer-te! Hoje, sei-me acordado com a bondade outrora desprezada. O que um encontro não nos transforma!

Espelho

domingo, 22 de maio de 2005

Ele era aquele moço que um dia eu fui, e eu era o que sonhei na vida muitas emoções. Num gesto simples, como o acúçar a se dissolver na água, questionou-me sobre as virtudes da escrita. Eu nada respondi. Só sei escrever.

Geografia mínima: inventário

sábado, 21 de maio de 2005

(Para Jamille S.)

Isto de esmiuçar e de reler a memória de seu corpo tinha de acabar. Pelo bem de minha alegria e para eliminar o ar circunspecto. Por isso, de um pólo ao outro, explorei os mistérios de sua topografia e me deparei com ecos de seus ancestrais. E me fiz cúmplice de multidão, paisagens e vozes a acenar ao meu indiscreto olhar.
E testemunhei o encanto e os esgares de tímidos sóis em sua tez, como a burilar solenes geleiras. E espreitei o vento do desértico areal a percorrer a filigrana de seus pêlos. Atravessei, assim, alagados vales em suas coxas e, então, flanei nas estridentes brumas de suor a lhe reluzir a pele. E admirei seus cabelos finos qual véu de remotas estrelas quase a despertar. E, no abismo simples, delicado e belo de seus lábios, depositei afagos breves para lhe preservar a paz.
Entresonhado, degustei as mil e uma sombras de seu corpo, e aquietei os olhos num silêncio doce, e suspirei contente sempre a desejar.

Confesso

sábado, 21 de maio de 2005

Por vezes, ao sentir o estresse esvaziar minhas mãos e mente, eu fujo!
E leio interessantes histórias, “causos” e mineiridades de um simpático blogueiro, senhor Ismael Cirilo, também conhecido como Soié.

O menino e um retrato

sexta-feira, 20 de maio de 2005

(ao Cadu)

Ainda que eu me lembre das frases
de sombras alargadas por teu sorriso de sempre verão

Ainda que eu respire as palavras
despojadas de cores e com brilhos desmedidos

Ainda que eu adivinhe as sílabas
silenciosas de teu nome a inventar contornos esguios

Ainda que eu busque das letras
a textura a me impregnar de aconchegos

Só me resta o ruído de algumas sementes espalhadas ao vento.

Pesquisa

sexta-feira, 20 de maio de 2005

Em latim, campsare significa dobrar. Dele derivou, em Português, o verbo cansar.
Agora entendi porque venho me sentindo um origami, uma dobradura!