A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Prá que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor
(Vinicius de Moraes/Tom Jobim)
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos da minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo, por favor
Prá que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor
(Vinicius de Moraes/Tom Jobim)
Caperucita Roja
(Francisco Villaespesa, 1877-1936)
– Caperucita, la más pequeña
de mis amigas, ¿en dónde está?
– Al viejo bosque se fue por leña,
por leña seca para amasar.
– Caperucita, di, ¿no ha venido?
¿cómo tan tarde no regresó?
– Tras ella todos al bosque han ido
pero ninguno se la encontró.
– Decidme niñas, ¿qué es lo que pasa?
¿qué mala nueva llegó a la casa?
¿por qué esos llantos? ¿por qué esos gritos?
¿Caperucita no regresó?
– Sólo trajeron sus zapatitos
¡Dicen que el lobo se la comió!
(Obs.: anos de Psicanálise para dar conta!)
W., reconheço-lhe o genuíno interesse sobre os caminhos do processo criativo na arte. É-me difícil responder-lhe a indagação. No geral, o cotidiano se rege pelo utilitarismo e pela vontade. Por tal, já enfrentamos os limites da catástrofe resultantes da manipulação do mundo em sua totalidade. Urge, pois, uma mudança da mentalidade individual. O poeta, para criar, precisa transformar o seu querer. Como? Purificando sua vida de pensamentos: atentar-se às classes de palavras, às frases e suas composições e à extensão dos conceitos, ângulos privilegiados pelo olhar, com isenção e rigor contínuos, além de viver e compreender o seu presente. Tarefa bastante exaustiva, concorda? Imprescindível, porém, na formação do artista. Só mais adiante, ele poderá se debruçar com delicadeza sobre a variedade de sentimentos, exercendo o chamado sentir reflexivo. Por fim, com a atenção desperta, o poeta poderá exercer uma vontade doce, a partir das, agora despertas, forças da consciência. Essa vontade doce, a que me referi, é uma vontade invertida, entregue ao mundo, e que se origina da atenção e do amor. É a mesma forma de vontade de que se vale a criança para aprender a falar e a descobrir a vida.
Transcrevo, a seguir, um antigo poema para sua apreciação e desejo-lhe boa sorte.
Assim nasce a solidão
até o raio
se entrega às nuvens
para clarear o céu
e a chuva
ao solo
para verdejar o campo
a displicência resseca o olhar
John Cage encaminha-se para o piano e toca uma grande pausa, executa o silêncio. E, assim, podemos ouvir os sons do mundo que não seriam ouvidos se o piano tocasse. A poesia está oculta nos sons. Poesia é música. É a música do mundo.
(para Cadu Nirelo)
Vocacionei-me para a ironia desde sempre. Por isso, não temia desapreços. Eles me inflamavam e pontuavam minha caminhada de sorrisos rasos. E, com isso, não me desalentava. Até conhecer-te! Hoje, sei-me acordado com a bondade outrora desprezada. O que um encontro não nos transforma!
Ele era aquele moço que um dia eu fui, e eu era o que sonhei na vida muitas emoções. Num gesto simples, como o acúçar a se dissolver na água, questionou-me sobre as virtudes da escrita. Eu nada respondi. Só sei escrever.
(Para Jamille S.)
Isto de esmiuçar e de reler a memória de seu corpo tinha de acabar. Pelo bem de minha alegria e para eliminar o ar circunspecto. Por isso, de um pólo ao outro, explorei os mistérios de sua topografia e me deparei com ecos de seus ancestrais. E me fiz cúmplice de multidão, paisagens e vozes a acenar ao meu indiscreto olhar.
E testemunhei o encanto e os esgares de tímidos sóis em sua tez, como a burilar solenes geleiras. E espreitei o vento do desértico areal a percorrer a filigrana de seus pêlos. Atravessei, assim, alagados vales em suas coxas e, então, flanei nas estridentes brumas de suor a lhe reluzir a pele. E admirei seus cabelos finos qual véu de remotas estrelas quase a despertar. E, no abismo simples, delicado e belo de seus lábios, depositei afagos breves para lhe preservar a paz.
Entresonhado, degustei as mil e uma sombras de seu corpo, e aquietei os olhos num silêncio doce, e suspirei contente sempre a desejar.
Por vezes, ao sentir o estresse esvaziar minhas mãos e mente, eu fujo!
E leio interessantes histórias, “causos” e mineiridades de um simpático blogueiro, senhor Ismael Cirilo, também conhecido como Soié.
(ao Cadu)
Ainda que eu me lembre das frases
de sombras alargadas por teu sorriso de sempre verão
Ainda que eu respire as palavras
despojadas de cores e com brilhos desmedidos
Ainda que eu adivinhe as sílabas
silenciosas de teu nome a inventar contornos esguios
Ainda que eu busque das letras
a textura a me impregnar de aconchegos
Só me resta o ruído de algumas sementes espalhadas ao vento.
Em latim, campsare significa dobrar. Dele derivou, em Português, o verbo cansar.
Agora entendi porque venho me sentindo um origami, uma dobradura!