Apaixonei-me por uma senhora de cinqüenta, e não é tão ruim assim! Quando ela olha para mim, sente-se 20 anos mais moça. Quando eu a olho, sinto-me pelo menos 10 anos mais velho. Assim, os dois temos 30 anos! Mazel!
Arquivo de maio de 2005
M.I.L.F.
quinta-feira, 19 de maio de 2005Barely legal
quinta-feira, 19 de maio de 2005Apaixonei-me por uma garota de vinte, e não é tão ruim assim! Quando ela olha para mim, sente-se 10 anos mais velha. Quando eu a olho, sinto-me pelo menos 20 anos mais moço. Assim, os dois temos 30 anos! Mazel!
Afoito: adj. (lat. fatuus, louco)
quinta-feira, 19 de maio de 2005antecipar
faz-de-conta:
o
inoportuno
tagarela
errou e
zanzou
amarescente
Tempos de correção
quinta-feira, 19 de maio de 2005É perigoso falar, desejar e sonhar.
Ai de mim!
Farsa
quarta-feira, 18 de maio de 2005A rua do Bazar era uma penumbra permanente, mesmo nos dias de sol. À noite, era sinistra e cheirava mofo.
Sem cortesias, esfregava Dario contra o muro de pedras. Ele levantava o queixo, e eu o beijava com violência, enquanto se debatia. Era preciso acalmá-lo. Então, eu apertava seu pescoço com firmeza, e ele parava.
“O que você quer? Você me enoja!”
“Cale-se, vai dar tudo certo!”
Aí, eu o acariciava displicente entre as pernas. Ele ofegava.
“Isto o excita, pervertido!”
Eu o beijava, ele me rejeitava sem vigor, e um suspiro escapava de sua boca.
“Jamais fiz isso com um homem!”
“Não tem nada de errado, você não precisa fazer diferente.”
Ele cedia, enquanto o acariciava com intimidade e lhe despertava o desejo.
Movimentos rápidos e, no ápice, ele dava um grito de surpresa.
Eu o abraçava com força e lhe mordia os lábios.
Ele poderia substituir Raquel, mas preferia assim.
Com a palma da mão, comprimia sua cabeça contra o muro de pedras. Sua nuca forma um ângulo estranho e perigoso.
“Boa noite, Dario.”
Pacificado, voltava para casa em silêncio. Para não despertar Raquel, nem as crianças.
Amanhã, talvez chovesse. Talvez.
Farsa
quarta-feira, 18 de maio de 2005A rua do Bazar era uma penumbra permanente, mesmo nos dias de sol. À noite, era sinistra e cheirava mofo.
Sem cortesias, esfregava Leonor contra o muro de pedras. Ela levantava o queixo, e eu a beijava com violência, enquanto se debatia. Era preciso acalmá-la. Então, eu apertava seu pescoço com firmeza, e ela parava.
“O que você quer? Você me enoja!”
“Cale-se, vai dar tudo certo!”
Aí, eu a acariciava displicente entre as pernas. Ela ofegava.
“Isto a excita, pervertida!”
Eu a beijava, ela me rejeitava sem vigor, e um suspiro escapava de sua boca.
“Jamais fiz isso com um homem casado!”
“Não tem nada de errado, você não precisa fazer diferente.”
Ela cedia, enquanto a acariciava com intimidade e lhe despertava o desejo.
Movimentos rápidos e, no ápice, ela dava um grito de surpresa.
Eu a abraçava com força e lhe mordia os lábios.
Ela poderia substituir Raquel, mas preferia assim.
Com a palma da mão, comprimia sua cabeça contra o muro de pedras. Sua nuca forma um ângulo estranho e perigoso.
“Boa noite, Leonor.”
Pacificado, voltava para casa em silêncio. Para não despertar Raquel, nem as crianças.
Amanhã, talvez chovesse. Talvez.
Desassossego
terça-feira, 17 de maio de 2005Agaranto que a vida lá fora é melhor, moço. Mas a vida encaramujada daqui também não é ruim!
Na mocidade, gostei de Dalva, moça sem maldade, que morava para os lados do Jequião. Pelas bandas de cá, diziam que era lugar assombrado. Por força de correção, não pus maldade nesses encontros, eu juro. Dalva era jeitosa e ia nas missas com vestido azul-do-mar. Uma beleza e uma estranheza: ficava na porta da Igreja, sem entrar, por causa de promessa feita, dizia. Tão bonita a Dalva: cabelos muito pretos e olhos doces como água de chuva.
Certa feita, a pedido do coronel Fialho, fui de visitação de improviso para as bandas do Jequião. No meio da tarde inda tinha uma enfiada de serviço por completar, mas bateu vontade de visitar a moça Dalva. Já ia de caminho para o arraial, quando ouvi uns grito. Assustei. Rompi ligeiro e vi a moça Dalva possessa que nem louca. Ela batia numa casa de marimbondo com uma cruz e gritava o nome do coisa-ruim, Deus Nossa Senhora! Apeei assustado e avancei. Os bicho já ‘tavam se enredando nos cabelos de Dalva. Ela, com olhos de fogo, avançou para mim com o crucifixo à guisa de espada. Conheci que ia morrer e gritei o nome do Salvador antes do tesconjuro! Dalva jogou o santo crucifixo nos meus pés, correu desabalada e se jogou do itaimbé por obra do desassossego. E morreu!
E eu fiquei por ali desajeitado e chorando, como boi magro em festa de santo.
Antes da tarde recuar, apressei a marcha de retorno. No caminho, só grunhos de catetos e o tinir de ferraduras nas pedras!
Sabe, moço, aqui no tremembé, a vida ensina paciência. No pedrento, nem gabiroba sabe açúcar.
Sermo simplex
segunda-feira, 16 de maio de 2005partir/sem/falar
falar/sem/partir
sem falar
sim, partir
pouco a pouco
Dreams & life
segunda-feira, 16 de maio de 2005Em sonhos, de início hesitei em abrir o sótão. Depois, habitei-o breve com anjos-pássaros a me espreitar. Eram muitos, e iguais em tudo nos sonhos. A convivência trouxe a intimidade, e passamos a dividir confidências. Caminhavam sem nenhum barulho quebradiço e, por mim, buscaram o antes, uns imaginários solfejos e os sorridentes serões. Abriam, vez por outra, janelas nas paredes, e exibiam antigas laranjeiras toledanas a se beijarem no Tejo. E, ainda, mostravam de improviso filigranas na superfície de minha memória esgarçada. Os anjos-pássaros também entoavam em coro os apelos de minhas desistências e, cabisbaixos, descreviam as cores de antigas fúrias e de avultadas falhas (que também eram antigas). Como o hóspede e o peixe, no terceiro dia, aborrecem, desisti da habitação e fechei o sótão do sonho.
Agora, em vida, releio trechos de sonho que nunca vai ser escrito e me junto ao miserável povo do quintal em que vivo.
DoodleBug II
segunda-feira, 16 de maio de 2005