Perdi a sorte ao me mudar de casa. Procurei-a entre caixotes de vime e lãs de um cobertor antigo. Sei que, por vezes, ela me espreita pela janela da sala em dias ensolarados. Hoje não a quero mais. Não mais preciso dela. Habituei-me a não ter humildade.
Pelas manhãs, nos cumprimentamos à mesa. Duvido sempre que eu lhe deseje um bom dia de verdade. Eu apenas aceito a emoção das palavras: bom e dia. Prefiro a noite em que todos os gatos são pardos.
Escrevo para fugir de estereótipos. Gosto da língua fora do poder. Essa é a minha alegria. Mais ou menos como a frágil Verônica suplantar, na procissão, o Filho.