Ofício da escrita

Busco palavras que dancem
não à distância
como profecia de abandono
mas com hálito e calor

imprevisíveis, mas não infiéis
emocionadas, jamais lacrimosas
inflamadas como o rubor das manhãs

Procuro palavras apaixonadas
não gemidos fatiados como tristezas a varejo
nem farsas vulgares com tons de navalha
a copular ironias

Desejo palavras de discretos segredos
e carinhos arrebatados
a iluminar cumplicidades

Espero palavras
espiraladas
como vertigens do amor que virá

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