Arquivo de junho de 2005

Caldeirão

sexta-feira, 17 de junho de 2005

digo coros, acordes, corações
e, nas pontas dos pés,
me afasto da escuridão vazia

compraz-me sobre a terra caminhar
e adivinhar-lhe
o staccato da lava e
o glissando das águas

coros de anjos dissolvem o breu

quantas sinfonias!

o velho odre-coração se perfuma como Veneza
na direção das manhãs.

Sexta-feira chegou!

sexta-feira, 17 de junho de 2005

Confesso: o que eu mais gosto é brincar com pincéis, formas, carimbos, letras e papéis coloridos, como aqui!

Pena que o Webmaster esteja tão ocupado para brincar também!

Timeline

sexta-feira, 17 de junho de 2005

Deitei-me na grama para apreciar nuvens. E, durante horas, observei unicórnios, maçãs, navios, mulheres esvoaçantes e florestas encantadas. Decepcionante. Exatamente como as nuvens que eu via aos dez anos de idade!

Jornada (solene)

quinta-feira, 16 de junho de 2005

Coletei vias de antigos seres,
fomes de estranhos tempos e
sombras de tranqüilas dores.
Amealhei cores.
Dissipei sombras de estranhos seres,
vias de tranqüilos tempos e
fomes de antigas dores.
Parti.

Garimpo de sabores do mundo

quarta-feira, 15 de junho de 2005

Na linha de cabotagem, encontrei este site fantástico. Obrigado, Helena! E, preparem-se para virar as folhas calmamente. Serão emoções e sabedorias!

Quando um inverno: erudição antecipada e intranqüila

quarta-feira, 15 de junho de 2005

Reservou-me a escravidão um semblante hostil. Não menos aos meus senhores. O meu é o de um lobo cinzento a resgatar minha identidade primeira. O deles é um qualquer, apenas para lhes ratificar a decadência.


A palavra sai do pensamento dos sábios como a farinha da peneira, diz o Rig-Veda. Em tempos de fome no corpo, eis o meu único alimento.


O que não pude realizar, construo na imaginação com a ajuda de fadas. Na escuridão, cintilam palácios que, num instante, se fragmentam com os ventos.


O sol está morto e repousa no país dos espíritos. Renascer na Primavera é o seu único sonho.

Poética desavisada – II

terça-feira, 14 de junho de 2005

ao
rio
ergo
brindes
ao
mar
faço
pontes
eu
não
vejo
solidões

Poética desavisada – I

terça-feira, 14 de junho de 2005

no ritmo
ausente, a melodia cedeu a cor,
e o metro, num átimo,

estancou na “terza rima”, assim como dor.

Alinhavos

segunda-feira, 13 de junho de 2005

Perdi a sorte ao me mudar de casa. Procurei-a entre caixotes de vime e lãs de um cobertor antigo. Sei que, por vezes, ela me espreita pela janela da sala em dias ensolarados. Hoje não a quero mais. Não mais preciso dela. Habituei-me a não ter humildade.


Pelas manhãs, nos cumprimentamos à mesa. Duvido sempre que eu lhe deseje um bom dia de verdade. Eu apenas aceito a emoção das palavras: bom e dia. Prefiro a noite em que todos os gatos são pardos.


Escrevo para fugir de estereótipos. Gosto da língua fora do poder. Essa é a minha alegria. Mais ou menos como a frágil Verônica suplantar, na procissão, o Filho.

Esboços

segunda-feira, 13 de junho de 2005

A quietude do relógio quebrado é o coração dolorido. Estou caracol frágil a espreitar frestas de horas pulsantes. E, em mim, faz-se ausência do verão.


Desaprender as rebeldias impacientes e aquietar os segundos: eis minhas mãos perfumadas para a luz.


Ao beijar-me, as palavras cessaram. Findo o beijo, o calor do leito bastou-me. Depois? Sepultei as horas para um improvável retorno.