Arquivo de julho de 2005

Rascunho de diário

sábado, 30 de julho de 2005

Goethe afirmava: “Se queres ser melhor do que nós, caro amigo, viaja!”. Não pretendo superar ninguém, apenas mobiliar minha cabeça. Assim, estou afivelando malas para buscar o sol e a luz e repensar o segundo semestre. Nos vemos em uma semana!

Here comes the sun, tweedundoodle
Here comes the sun, tweedundoodle
And I say it’s all right!

Por vezes, há surpresa (e das boas)

sexta-feira, 29 de julho de 2005

No meio de toda a instabilidade das relações entre os humanos, um amigo se lembrou carinhosamente de mim, aqui.

Perfil – III

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Sou de antecipar sonhos e de fomentar lirismos
para que a satisfação se torne tranquilidade.
Sou de contestar dores a desorientar
a bússola de meu coração.
Sou de observar, de ecoar afinidades,
de bramir, de velar o explícito.
Sou de desejos cada vez menos egoístas.

Sou de cultivar cortesias.

Presumíveis

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Com voz estridente reclamou dos serviços públicos e da falta de apoio da categoria profissional. Exilou-se na casa de campo. Secou a reserva de vinhos da adega decadente e cortou a garganta com os vidros das garrafas quebradas.


Em seus lábios, o vermelho escancarava o perigo. Gláucia não tinha mais do que vinte anos, desperdiçados, fúteis. Exigia amor e a felicidade sonhada. Intolerante para com a lerdeza da vida, acelerou seus passos e não viu o vermelho do semáforo.


Dionino necessitava se afastar da atmosfera pestilenta da vida familiar, repetia insistentemente. Após viver um ano em uma pensão barata, abriu o gás e se deitou com solenidade.

Lá vem (outra) história (tola)

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Era uma vez um sapo de papelão e de chatices que gaguejava ao falar inverdades.
– Sei de tudo, sei mais do que imaginam!
E gaguejava tanto quanto as bolsas de valores oscilam.
A secreta esperança do sapo de papelão e de chatices era se tornar querido pela maioria dos habitantes do pântano onde vivia. Vez por outra, aceitava desculpas por não ter sido convidado para uma festinha animada de minhocas, ou se entristecia por ser convidado em cima da hora para o batizado dos filhotes de libélulas.
Decidiu então se inscrever em curso de como melhorar sua vida sexual, pensando em revolucionar o seu perfil de aceitação entre os habitantes do pântano. O que o sapo de papelão e de chatices não imaginava é que as aulas exigiam mais do que uma dieta rica em vitaminas e minerais e práticas de Liangong. Sim, o curso exigia perseverança, qualidade de alma considerada pouco nobre pelo sapo de papelão e de chatices.
Os anos se passaram, e o desprezível sapo continua a acreditar que sabe tudo, mesmo gaguejando, embora anseie por auroras e apenas consiga prazeres solitários!
Moral da história: não tem.

Coisas novas, novas coisas

quinta-feira, 28 de julho de 2005

O Rui Bebiano, o António Tavares Lopes e Tiago Barbosa Ribeiro iniciam nova caminhada conjunta aqui.

Patético

quinta-feira, 28 de julho de 2005

Minha voz tornou-se mansa e a minha escrita, pálida. O inverno enregelou minhas melodias internas.

Motivo de ausência – III

quinta-feira, 28 de julho de 2005

Rascunhos incompletos preenchem algumas gavetas de meu armário. Lamento informar: perdi as chaves daquelas gavetas.

Aquarela – 2

sexta-feira, 22 de julho de 2005

Do mestre em caligrafia ganhei ofício e palavras. E elas pediam mansidão, horizontes, tenacidades e silhuetas de futuros. Soavam amanhecidas como regatos e migravam livres nas ondulações do mar. Ali, as palavras se salgaram e fizeram meu corpo aspirar plenitudes e memórias. De aroma e dos contornos fartei o espírito que se rompeu como o pólen no despertar de um verão. As palavras se tornaram companheiras e, hoje, dançam em meus gestos e se aconchegam fiéis em minhas mãos ainda que a música se cale.

Olhar – 2

sexta-feira, 22 de julho de 2005

Desprezo adjetivos. Consideram e conceituam o que busca silêncio. Caracterizam o abismo entre o ver e o sentir. Julgam o sabor do vento que me empresta a vida. Reputam a alma como criança e dela fazem seu fruto e seu encargo. Taxam imagens e traem o olhar impunemente, impunemente. A harmonia repousa além do adjetivo e basta.