Ontem, um dia qualquer

(da série Aguardamentos)

Afligi-me estar à espera. Quisera ter renunciado a esta tola e efêmera vontade de parceria. Talvez conheça em demasia o laconismo das paredes e do cimento a abrigar esperas. Não lhe contemplo a silhueta e amplio-me no desejo e na cegueira. Eis-me aflito com as imperfeições do sabor acre da espera.


Debrucei-me sobre textos e colhi palavras em desalinho. Eram partículas ansiosas por resgate e conforto. Depois, guardei-as entre silêncios e partilhamos da solidão.

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