Afinação
Empenhar-se na busca de identidade pessoal: rotas a convergir no corpo, trilhas de solidão na voz, inesperados assombros na imaginação em avaliar-se e ao justo. Mergulhar na condição humana: conviver com imprevisÃveis rugas na alma.
Empenhar-se na busca de identidade pessoal: rotas a convergir no corpo, trilhas de solidão na voz, inesperados assombros na imaginação em avaliar-se e ao justo. Mergulhar na condição humana: conviver com imprevisÃveis rugas na alma.
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Vocês podem imaginar um paraÃso cheio de traços e cores? Pois ele existe e ajuda a preencher a alma de imagens e vida. Onde? Aqui.
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Admirar-se e celebrar a vida formam a essência da vida dos sentimentos. Por isso, na escrita, havia o sinal de exclamação. Hoje, os modernos manuais de estilo não recomendam o seu uso. Exclamar é ingenuidade, primitivismo, espontaneidade excessiva. Nossos sensÃveis ouvidos desprezam a passionalidade.
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O vizinho de frente é um estranho tipo. Silencioso e desbotado como o tomilho cinzento. Em sua casa, acolhe homens jovens, inquietos e rudes como cebolinhas selvagens e permanentemente fétidas. O ruidoso vizinho do lado evoca a silhueta da hortelã: vulgar, fragrante e viçoso em qualquer estação do ano, apesar do desleixo. Já a vizinha do outro lado se assemelha ao morango silvestre: rasteira e invasiva. Sua face avermelhada e inchada pede escandalosa urgência nos contatos. Meus vizinhos temperam e colorem o meu cotidiano.
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Preparar espaços para aninhar memórias do que virá.
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do intervalo
ampliar o som
a paz dos sábios
a escuta enfim
a calma
do silêncio
acolher
da quietude o vigor
do hausto a força
dissolver do afã o pensar
de ecoar
sempre
do ouvir
o cerne
abrigar no peito
o simples
e no entendimento
a luz
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Esbanjar sorrisos em total desapreço pelo tempo.
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Sou de ampliar desejos e
esquadrinhar mistérios em seu corpo.
Sou de beijar a doçura luminosa
de suas mãos.
Sou de lamber-lhe os braços e
resgatar o sal fresco e prudente.
Sou de contrair-me inteiro
ao cheirar seus pêlos acidulados.
Sou de morder-lhe as costas e
crispar-me com o amarescente cerume de suas orelhas.
Sou desavergonhado.
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Rever (ou conhecer) Portugal, serenamente belo, aqui.
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Quando amigos silenciam (ainda que por um tempo), como o Tiago.
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