Arquivo de agosto de 2005

31 de agosto de 2005

Afinação

Empenhar-se na busca de identidade pessoal: rotas a convergir no corpo, trilhas de solidão na voz, inesperados assombros na imaginação em avaliar-se e ao justo. Mergulhar na condição humana: conviver com imprevisíveis rugas na alma.

30 de agosto de 2005

Visita obrigatória

Vocês podem imaginar um paraíso cheio de traços e cores? Pois ele existe e ajuda a preencher a alma de imagens e vida. Onde? Aqui.

29 de agosto de 2005

Correção

Admirar-se e celebrar a vida formam a essência da vida dos sentimentos. Por isso, na escrita, havia o sinal de exclamação. Hoje, os modernos manuais de estilo não recomendam o seu uso. Exclamar é ingenuidade, primitivismo, espontaneidade excessiva. Nossos sensíveis ouvidos desprezam a passionalidade.

27 de agosto de 2005

Window-box

O vizinho de frente é um estranho tipo. Silencioso e desbotado como o tomilho cinzento. Em sua casa, acolhe homens jovens, inquietos e rudes como cebolinhas selvagens e permanentemente fétidas. O ruidoso vizinho do lado evoca a silhueta da hortelã: vulgar, fragrante e viçoso em qualquer estação do ano, apesar do desleixo. Já a vizinha do outro lado se assemelha ao morango silvestre: rasteira e invasiva. Sua face avermelhada e inchada pede escandalosa urgência nos contatos. Meus vizinhos temperam e colorem o meu cotidiano.

25 de agosto de 2005

Pauta mínima - II

Preparar espaços para aninhar memórias do que virá.

Can I bring my friend to tea?

do intervalo
ampliar o som
a paz dos sábios
a escuta enfim

a calma
do silêncio
acolher
da quietude o vigor
do hausto a força

dissolver do afã o pensar
de ecoar
sempre
do ouvir
o cerne

abrigar no peito
o simples
e no entendimento
a luz

Pauta mínima - I

Esbanjar sorrisos em total desapreço pelo tempo.

24 de agosto de 2005

Perfil - IV

Sou de ampliar desejos e
esquadrinhar mistérios em seu corpo.
Sou de beijar a doçura luminosa
de suas mãos.
Sou de lamber-lhe os braços e
resgatar o sal fresco e prudente.
Sou de contrair-me inteiro
ao cheirar seus pêlos acidulados.
Sou de morder-lhe as costas e
crispar-me com o amarescente cerume de suas orelhas.

Sou desavergonhado.

23 de agosto de 2005

Prazer

Rever (ou conhecer) Portugal, serenamente belo, aqui.

Por vezes, há tristeza

Quando amigos silenciam (ainda que por um tempo), como o Tiago.