Enjaulado, as sombras eliminaram qualquer ternura. Sem tempo para desculpas, desfiaram-me acusações diretas e aflitivas: contestador, irreverente, desapiedado, always daring. Premido pelos julgamentos, desperto sem arrependimentos. No ar rarefeito, como incêndio de guerra, a imagem era a vida de alguém. Talvez eu mesmo. Ficou-me aquele gosto da liberdade que o vento inspira e confere à vida real prazeres inconfessos, como o de escrever esse texto.
Arquivo de agosto de 2005
Nightmare
terça-feira, 23 de agosto de 2005Prática infernal pedagógica
segunda-feira, 22 de agosto de 2005No olhar, pouco mais que curiosidade frente às revelações. Diante da mesa improvisada, o mundo ao redor parece desafiar-lhe as inquietações. A luminosidade exterior se confunde com a interior. No cotovelo, uma ferida relembra a aspereza cotidiana. A boca emudecida, o caderno aberto, a mão inerte. Nada além da repressão de gestos e sons. Nada além da instalação do ser.
Wondering what you’ll wear tonight
segunda-feira, 22 de agosto de 2005Entre Eros e o olhar está o seu corpo belo, suave e luminoso.
Mazal, komo la luna te trokas siempre (*)
sexta-feira, 19 de agosto de 2005Em um tempo, faltou-me o tempo para apreciar tuas inúmeras gentilezas para comigo. Hoje, é tempo de apenas recordá-las.
(*) O Fortuna, velut luna statu variabilis, in Carmina Burana.
Assim como na poesia
sexta-feira, 19 de agosto de 2005Atraem-me nossas diferenças. Você sempre displicente, embora atento, eu demasiado simplista. Você, sincero em dizer que me tolera, eu a colecionar migalhas de atenção. Você a se exibir nos silêncios, eu a resgatar a beleza que repousa em nossas diferenças. Impressionam-me imenso as pessoas que só encontram beleza nas similaridades!
Lembranças #8
terça-feira, 16 de agosto de 2005
Talvez
segunda-feira, 15 de agosto de 2005(…)
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu.
(…)
Chico Buarque, in Ópera do Malandro
Talvez seja você o que busco em minha vida para eliminar todas as metáforas que escorrem de meus dedos. Talvez seja você.
Clausura, casulo
segunda-feira, 15 de agosto de 2005Não me ocorre qual alegoria deve conter o fato de me sentir enclausurado no despertar da Primavera.
Um dia existiu
sexta-feira, 12 de agosto de 2005Era uma vez
um menino
que juntou
pedaços
de tempo
e de cor
à espera do amanhã.
E escreveu
na pedra
o que
se lembrou
do passado.
Hoje
rapaz
não mais fecha os olhos
e nem se ocupa com a luz.
Por um fio
sexta-feira, 12 de agosto de 2005Quero contar minha vida
como surpresas de infância
grandes
inusitadas
arrebatadoras.
Quero contar minha vida
antes que você cresça.