O vizinho de frente é um estranho tipo. Silencioso e desbotado como o tomilho cinzento. Em sua casa, acolhe homens jovens, inquietos e rudes como cebolinhas selvagens e permanentemente fétidas. O ruidoso vizinho do lado evoca a silhueta da hortelã: vulgar, fragrante e viçoso em qualquer estação do ano, apesar do desleixo. Já a vizinha do outro lado se assemelha ao morango silvestre: rasteira e invasiva. Sua face avermelhada e inchada pede escandalosa urgência nos contatos. Meus vizinhos temperam e colorem o meu cotidiano.