Nas casas enxameadas pelas festas (barulhentas e previsíveis)
onde houve janeiro o sol se abre, clama o calor no trópico
infernal (transpiro) tudo derrete como a fleuma do herói
em passadas largas sobre a areia, apenas o instante permanece:
os pregões vazios, o despudor vadio dos corpos em desalinho
na corriqueira demanda pelo ócio; imaginei-me feliz
embora menos que o vizinho incógnito como sempre.
Não divisei pressas, apenas cabeças inclinadas a fugir da luz
nesta distante terra de cansaço e preguiça. O tempero da vida
se fez pelo abandono de intenções ou quase.
Dormitei na areia (disfarce para a fera com ausência de fúria)
em uma tira de sombra, temperado pelo sal
e ressecado pela indiferença.
No despertar do ano, esbocei planos que o sol derreteu.