Gelsenkirchen, Mashhad, Addis Abeba: fragmentos
(da série Monólogo interior)
Em cada paisagem, esbocei vagos desamparos e reuni entusiasmos consistentes para os que me cercavam. A lembrança do sol se fez permanente em minhas retinas. Inoportuno como saudar e não ter resposta. Somente uma impressão. O tempo passou por meu rosto, delicados poemas morreram no ar. Nada mais. Aferir decepções, para quê? Viver plenitudes foi o pacto para com a vida, para com a minha vida. Em cada silêncio insisti em dizê-lo. Dispensei rascunhos, aprofundei-me em vida e retornei aos domingos de chuva à beira-mar. Entristeci-me por vezes. Desiludir-me jamais. Não acredito em ilusões, somente em esperanças. Estas diferem pela condição do estar, jamais do ser. Anteontem, arrematei-as em um buquê (as esperanças) e presenteei-me com prazer reverente. Retornei das férias. Eliminei qualquer incompetência do olhar por terras longÃnquas. Até breve, insisto em dizer para mim mesmo.