Em nome da solidão
Eu que não sei da chuva, trago em meus olhos pálidos a apatia da loucura e, em minha pele, o azedume de pedras e de sóis. Eu que me tornei riacho sonolento guardo memórias tardias de cores e de brilhos, sem mesmo saber chorar. Eu que abriguei preguiças, orgulhos e iras, alberguei dores, falei com voz grave e adormeci o olhar. Eu que caminhei em desequilíbrio e recusei apertos de mãos, mantive meu olhar longe de todos e, como luz condensada, chovi sobre a cidade.