Observar - I
Por breves instantes, refugiou-se um pássaro na janela da sala. Permaneci imóvel diante dessa intimidade fortuita. Que vaticínios ou divinas mensagens me trazia de sua morada nas nuvens? Observei-lhe a aparência despojada. A leveza emplumada a falar de uma vida livre, mergulhada em dimensões luminosas, sem quase tocar o planeta com membros apenas esboçados, diminutos, quase desnecessários. Olhos atentos e sábios em sua irriquieta cabeça. Bem próximo a ela, um coração a tecer cantos e rimas suaves. Em segundos, ele alçou vôo peregrino e exibiu-se irradiante rumo ao inalcançável.
No silêncio, acudiu-me a rotina pesada de meus passos, a tímida visão de rumos em minha história, a ausência de entusiasmo nos pensamentos e nas palavras dos que me rodeiam.