A tontura que precede o baque do corpo

Eu que colecionei tatos, manhãs e cristais, eu que invoquei conjunções estelares, eu que não esperei nada. Eu que transformei as mãos. Sombras perfumadas, devaneios baldios, varandas enevoadas, acordes breves foram necessários para diluir excessos de sobriedade. Eu que desafiei planícies ao perambular oscilante, que fiz de Bizâncio o meu porto para a vida, eu que assoprei nuvens para me aproximar do sol, quando menos se esperava, me afastei das palavras para escutar o vento. Menino impaciente, homem a espreitar, lábios que abrigam canções. Eu que me libertei de ódios e adormeci por imensos e inexplicáveis motivos, arrisco a me livrar do espaço e celebro o verão emocionado. Eu que me fiz contente e alucinado, ressuscitei árvores, animais e sonhos, não impeço que a neblina se manifeste. O tempo tem a duração de minhas preces. O mundo, eu o sei misterioso.

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