Des(a)tino
E se quisessem os demônios, que este tão ilustre e tão numeroso público leitor saísse hoje tão desenganado do blog, como vem enganado pelo blogueiro? Esta é toda a história, e toda é a vida a nos fazer de vítimas, sempre o mais comum e certo.
Ainda no outro século, surgimos na vida um do outro e contamos histórias de um tempo mais antigo e histórias de tempo que haveria de passar.
E como os alimentos se transformam completamente para manter a vida corpórea, os encontros e nossas histórias alimentariam a vida da imaginação. Nossas histórias, porém, não se diluiram, não se transformaram: eram muitas, eram rápidas e demasiado abstratas para serem digeridas. Nossos encontros não mais existem, é certo. As histórias, no entanto, se tornaram memórias indigestas, obsessões a se repetir indefinidamente, fixas, rígidas, automáticas, autônomas, sem coração. Não as vomito: elas alimentam minha loucura.