Entreato

primeiro algum silêncio
e a espera de gestos
para perfumar os dias
e abrandar o desterro.

primeiro algum silêncio
e a espera de auroras
para lhe confirmar a presença
e me declarar vivo.

primeiro algum silêncio
e à beira do cotidiano
se erguem labirintos, assombros, a vida enfim.

depois é um ruído de memórias
e um sopro a construir silêncios
o vento das partidas.

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