Festas de mim (d’après Rimbaud)
Minha surdez apruma sabores de
açúcar queimado, indiferentes
ao tempo,
vitrificados ao léu.
Minha inanição verte dissonâncias:
a vida se espraia apaixonada,
ampla, vicejante
a aquecer rimas e memórias.
Meus cheiros são asfixiantes veludos,
verticalidade de linhos e
retalhos de então.
Minha cegueira se proclama
em busca de terras desérticas,
vastidões e tâmaras
(o negrume de seus olhos, quem sabe?)
Minhas texturas são o índigo,
o cerúleo
e sílabas a prenunciar e a instigar.