De deuses, de homens
(para M.L.)
Nas pontas dos pés, a deslizar sobre mundos e homens
a diluir assimetrias
entre o corpo que a vista alcança
e a palavra certa pousada em boca suave:
eis a criança do amor.
Gesto a gesto, opera infinitudes, exorciza infelicidades,
tragédias,
reescreve o doce veneno
de inocentes vilanias às sacrossantas marginalidades.
Eis o menino do amor:
celebrar palavras sem timidez, com justeza e fôlegos,
criar o sentido para as coisas.
Reinventa-se e às ressonâncias do fruto proibido
da narrativa nos porões, nos degraus,
nas vigas, nas cumplicidades.
Da superfície às profundezas,
eis o menino do amor.
Caro Moacyr
Marcelo Libeskind 31 de março de 2008, às 19:05Acabei de mudar de escritorio, na mudança resgatei várias perolas do passado, entre elas, já impresso, este seu poema maravilhoso. Hoje em dia me sinto mais preparado para lê-lo e “entendê-lo”.
Um forte abraço.
Com carinho.