De deuses, de homens

(para M.L.)

Nas pontas dos pés, a deslizar sobre mundos e homens
a diluir assimetrias
entre o corpo que a vista alcança
e a palavra certa pousada em boca suave:
eis a criança do amor.

Gesto a gesto, opera infinitudes, exorciza infelicidades,
tragédias,
reescreve o doce veneno
de inocentes vilanias às sacrossantas marginalidades.

Eis o menino do amor:
celebrar palavras sem timidez, com justeza e fôlegos,
criar o sentido para as coisas.

Reinventa-se e às ressonâncias do fruto proibido
da narrativa nos porões, nos degraus,
nas vigas, nas cumplicidades.

Da superfície às profundezas,
eis o menino do amor.

Um comentário

  1. Caro Moacyr
    Acabei de mudar de escritorio, na mudança resgatei várias perolas do passado, entre elas, já impresso, este seu poema maravilhoso. Hoje em dia me sinto mais preparado para lê-lo e “entendê-lo”.
    Um forte abraço.
    Com carinho.

    Marcelo Libeskind

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