Arquivo de abril de 2006

28 de abril de 2006

Imagens no escritório

Programo computadores
como ventania seca
a desgastar pedras.

20 de abril de 2006

Abandoned Places

Você já pensou em entrar em lugares abandonados e vasculhar os vestígios, imaginando encontrar aridez e silêncio onde antes habitavam seres humanos?

Você já fez isso?

Bem, ele fez, e é mesmo de tirar o fôlego.

13 de abril de 2006

Novo Dicionário Inglês-Português

grasshopper

grass·hop·per
s. ’saltador de grama’.
etim. de grass ‘grama’ + hopper ’saltador’, do v. to hop ‘pular, saltar’.

11 de abril de 2006

Segredo

alternar a
usências
para suavizar dis
tância
s e acrescentar e
ncantos
e não b
elezas
ao q
ue se vê.

7 de abril de 2006

Onde houve março

Esquivei-me do suor e das lufadas de má-sorte. Faltou, no entanto, a sinceridade de assombros da infância e se somaram fúrias de horas de espera como lascas de discurso deselegante, rejeitado, desusado. O jeito solto com as palavras, uma delicadeza simples e sem ambigüidades sucumbiu diante da força da natureza: maremotos, enxurradas, trovoadas e eclipses interiores. Março possui, de fato, a força dos sonhos e dos pesadelos. Março parece não acreditar naquilo que fez comigo.

6 de abril de 2006

Da arte de compor a vida

Segura-se a palavra com enlevo ainda que precário, enquanto os olhos passeiam pelo ar, piscando breves, arfando em sentinela com carinho sorrateiro. Uma nuvem se fará imóvel e discreta, e o convite para mergulhar na escuridão absurda amordaçará desejos e receios. No iminente, a oficina lapidará sem lógicas. Aos olhos sonolentos, a impossível gramática desenhará parágrafos imprecisos e intermináveis. Depois, bem, depois restará embalar rascunhos e contornos antes da vida espantar o sonho, que é pesadelo para quem não se arriscar.

5 de abril de 2006

Interioridades

metrifico improvisos
em distraídos poemas
sem avanços
e com impaciências
como limões
avessos ao anonimato
impossível não ler
Dylan Thomas
ou me importar
com omissões
e de ser eterno
sem blasfemar
– cruz-credo –
ou ficar à deriva
sem abraços ou respostas
mas com sabor
melhor assim.

Relaxation Theme for Movable Type

Adaptei o tema “Relaxation”, originalmente criado por John Wrana para o WordPress, para recriar o visual deste blog.

O arquivo com o tema adaptado para Movable Type está aqui.

Agradeço a John, por me permitir reproduzir seu elegante design.

I adapted the “Relaxation” theme, originally designed by John Wrana to be used with WordPress, to recreate this blog look.

The file with the theme adapted to Movable Type is here.

I thank John, for allowing me to reproduce his elegant design.

4 de abril de 2006

Just a record

O poeta acolhe emoção e melancolia, gospel e soul e soletra erosões que querem fazer parte da vida que imaginava ter.

3 de abril de 2006

Miniature silencieuse - III

Sem os ruídos costumeiros, nem o cheiro de âmbar a invadir minha imaginação, descobri estar vazia a casa de que habito o porão. O anjo que ali morava simplesmente se foi. Partiu sem nada dizer. Embora desacostumado com a situação, lembrei-me da solidão que sempre sentira e das preces para obter prazer em apenas viver. Foi quando aqui vim morar. No andar de cima, sem que eu percebesse, o anjo atendia tais pedidos de maneira imprevisível, não linear. Desde então apartei-me da solidão e desfrutei do prazer até hoje, ao descobrir que ele partira com a chegada do outono. Pensando bem, meus desejos foram preenchidos e, seguramente, vivi e aprendi mais do que poderia supor. O intrigante é que, ao acordar pela manhã, notei pegadas de purpurina dourada ao redor de minha cama, semelhantes às que o anjo imprime a cada passada.