Arquivo de julho de 2006

Life technique ou o que há por trás de tudo

sábado, 29 de julho de 2006

Quando o sol foi nascendo, raivosamente contei logo o que tinha havido. Dos detalhes sórdidos

Fenecer qual águia

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Aprendi a reconhecer o infinito ao naufragar em teus braços desassossegados e rompi serenidades ao beijar-te o pescoço. Porque naqueles instantes eu sabia te amar diminuto e transparente como chuva a lavar vidraças anônimas. Beijei-te as mãos sem tempo e devorei sem pedir teus dedos em derradeira sanidade. Porque era impossível simplesmente contemplar teu ventre sem fúria, impregnei sonhos atordoados com tua saliva e o meu futuro com o sal de tua pele. Teu suspiro leve e os desejos urgentes alternaram pulsos e sobressaltos em minha carne arrebatada. Fartei-me no efêmero e reuni memórias de luz para os tempos de solidão a silenciar meus olhos e o que restar.

Fragmento – IV

sábado, 22 de julho de 2006

Assim se faz o caminho: o relevo aplainado pela vontade, a atmosfera suavizada pela emoção e a paisagem transformada em águas profundas, muito profundas.

Fragmento – III

sábado, 22 de julho de 2006

Lancei-me ao mar e flutuei pequenino frente

Fragmento – II

sábado, 22 de julho de 2006

Na presença efêmera dos sonhos, sei-me rei e réu a imperar sobre vazios e a abdicar de desejos.

Fragmento – I

sábado, 22 de julho de 2006

A cada gesto descubro em tuas mãos o insondável de tantas vésperas de mim, de trilhas e alinhavos emudecidos, de contemplações transbordantes de silêncios. Eu que não sei de mim, insisto em reconhecer-me em tuas mãos. Nos arcos pairam segredo. No conjunto, beatitudes e inocências. Ardo embaraçado frente a tantos mistérios e desenho tua presença em minha memória. Teus gestos, contudo, esboçam um tempo fértil de tramas e urdiduras para além de todos nós.

Discipulado

sexta-feira, 21 de julho de 2006

A borboleta instala vitral na janela de meu quarto e um sol tímido me abraça por inteiro. Eu que desaprendi a ver cores e a não aceitar os limites de meu corpo agora faço companhia

Miniature silencieuse – IV

terça-feira, 18 de julho de 2006

Dei por mim a sentir a alma impaciente como véspera de desvairada tempestade. A casa flutuava em silêncios, em nudez desamparada, desértica, e o porão assombrado por imenso desassossego. Fechei os olhos e ninguém me vinha

Gosto pela vida

domingo, 16 de julho de 2006

Transcrevemos a seguir as delicadas palavras da amiga e jornalista Rose Campos, publicadas no site Guta Chaves:

O paladar renovado de uma mulher grávida revela de forma sem igual o sabor de viver

Dentre as muitas descobertas que a gravidez me proporcionou talvez a mais importante tenha sido uma apreensão mais ampla do sentido da vida. Acredito que toda mãe se surpreenda com o poder repentino de gerar dentro de si uma outra pessoa. Todo pai, eu imagino, deve regozijar-se com sua própria capacidade de semear esse fruto. E no papel materno minha maior preocupação, claro, foi — e continua sendo — com a qualidade desta nova vida.

O psicólogo Moacyr Morais, formado também em antropologia, me deu a grande dica: é preciso experimentar todos os sabores. Quanto mais, melhor. De tudo e sem preconceitos. Se possível, sem restrições. É uma forma sábia, ele acredita, de estimular o saber deste ser em formação. A palavra saber, nunca é demais lembrar, remete tanto ao conhecimento humano quanto aos sabores que a vida nos oferece. E parece não ser mera casualidade que comecemos a desenvolver o paladar ainda na fase intra-uterina. Um feto já começa a distinguir o amargo do doce e demonstra preferir este último.

Não só para defender sua opinião, mas para estimular a pesquisa e o debate sobre o assunto, Moacyr me sugeriu a leitura de “Os doze sentidos — e a metaforma da psique”, de Josef David Yaari (Hermes Editora). O autor argumenta sobre o item paladar que “saber é saborear. Saborear é o fundamento da sabedoria. Através do paladar, mergulhamos ainda mais na interioridade, na substancialidade das coisas. Ele é um farmacêutico que diz o que precisamos: doce, amargo, sal. O paladar permite suavidade e sutileza de percepção (‘bom gosto’). A ausência de seu cultivo gera rigidez, dureza e desinteresse pela vida. Para continuar a viver, reforçamos nossas armaduras e nos tornamos doentes. Perde-se, assim, o sabor e a sabedoria.” Trata-se, de fato, de um princípio bastante sério e importante. Idéias para se pensar. E se formos além podemos descobrir também o prazer de vivenciar tal achado. De preferência,

Acromia

segunda-feira, 10 de julho de 2006

Até mesmo um álbum de fotos
alterna caleidoscópicos matizes
no folhear
distraído

Não sei o que acontece:

apenas o cinza irrompe
e célere vira fuligem
na certeza
da presença impossível.