Fenecer qual águia

Aprendi a reconhecer o infinito ao naufragar em teus braços desassossegados e rompi serenidades ao beijar-te o pescoço. Porque naqueles instantes eu sabia te amar diminuto e transparente como chuva a lavar vidraças anônimas. Beijei-te as mãos sem tempo e devorei sem pedir teus dedos em derradeira sanidade. Porque era impossível simplesmente contemplar teu ventre sem fúria, impregnei sonhos atordoados com tua saliva e o meu futuro com o sal de tua pele. Teu suspiro leve e os desejos urgentes alternaram pulsos e sobressaltos em minha carne arrebatada. Fartei-me no efêmero e reuni memórias de luz para os tempos de solidão a silenciar meus olhos e o que restar.

Um comentário para “Fenecer qual águia”

  1. adna disse:

    Achei interessante

  2. mist disse:

    Olá.
    Gostei muito. De uma delicadeza incrivel. Fez-me sonhar e voltar ao passado, numa altura da vida onde eu fui realmente feliz. Por este breve momento de alegria… Parabéns!