Gosto pela vida

Transcrevemos a seguir as delicadas palavras da amiga e jornalista Rose Campos, publicadas no site Guta Chaves:

O paladar renovado de uma mulher grávida revela de forma sem igual o sabor de viver

Dentre as muitas descobertas que a gravidez me proporcionou talvez a mais importante tenha sido uma apreensão mais ampla do sentido da vida. Acredito que toda mãe se surpreenda com o poder repentino de gerar dentro de si uma outra pessoa. Todo pai, eu imagino, deve regozijar-se com sua própria capacidade de semear esse fruto. E no papel materno minha maior preocupação, claro, foi — e continua sendo — com a qualidade desta nova vida.

O psicólogo Moacyr Morais, formado também em antropologia, me deu a grande dica: é preciso experimentar todos os sabores. Quanto mais, melhor. De tudo e sem preconceitos. Se possível, sem restrições. É uma forma sábia, ele acredita, de estimular o saber deste ser em formação. A palavra saber, nunca é demais lembrar, remete tanto ao conhecimento humano quanto aos sabores que a vida nos oferece. E parece não ser mera casualidade que comecemos a desenvolver o paladar ainda na fase intra-uterina. Um feto já começa a distinguir o amargo do doce e demonstra preferir este último.

Não só para defender sua opinião, mas para estimular a pesquisa e o debate sobre o assunto, Moacyr me sugeriu a leitura de “Os doze sentidos — e a metaforma da psique”, de Josef David Yaari (Hermes Editora). O autor argumenta sobre o item paladar que “saber é saborear. Saborear é o fundamento da sabedoria. Através do paladar, mergulhamos ainda mais na interioridade, na substancialidade das coisas. Ele é um farmacêutico que diz o que precisamos: doce, amargo, sal. O paladar permite suavidade e sutileza de percepção (‘bom gosto’). A ausência de seu cultivo gera rigidez, dureza e desinteresse pela vida. Para continuar a viver, reforçamos nossas armaduras e nos tornamos doentes. Perde-se, assim, o sabor e a sabedoria.” Trata-se, de fato, de um princípio bastante sério e importante. Idéias para se pensar. E se formos além podemos descobrir também o prazer de vivenciar tal achado. De preferência,

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  1. HNM disse:

    A prova máxima de que é possível APREENDER quando estamos ‘disponíveis’. E essa ‘mãe’ mostrou-se em total harmonia com o tema. ‘Escutou’ com o coração. E ainda sobrou um bom pedaço dele para que pudesse escrever esse delicioso artigo. Foi ótimo saboreá-lo. Parábens.