Miniature silencieuse - IV
Dei por mim a sentir a alma impaciente como véspera de desvairada tempestade. A casa flutuava em silêncios, em nudez desamparada, desértica, e o porão assombrado por imenso desassossego. Fechei os olhos e ninguém me vinha à memória, nem aos sentidos. Saudades, sim, sinto saudades das manhãs em que adivinhava sua fugidia presença, suas mãos pálidas, o humor embaraçado e os vestígios de outros solstícios. Abandonei o porão em que vivo e vasculhei cada canto da casa. Tudo em vão. E então fiquei por ali, na soleira da porta, assobiando desafinado, com as mãos empoeiradas a desenhar ausências e o mais longo e atormentado inverno nos olhos.